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Com poucas opções, Fed inicia nova reunião sobre juros

César Muñoz Acebes. Washington, 15 dez (EFE).- O Federal Reserve (Fed, banco central americano) iniciou hoje uma reunião de dois dias, ao término da qual, de acordo com as previsões dos mercados, deverá reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 0,5%.

EFE |

Desde setembro de 2007, o Fed reduziu os juros americanos em 4,75 pontos, mas agora praticamente não possui mais margem de manobra para estimular a economia.

Nos EUA, o banco central não fixa os juros, mas estabelece uma taxa de referência e intervém nos mercados para atingi-la.

Atualmente, por exemplo, os juros dos compulsórios - empréstimos entre bancos - a curto prazo é de 0,14%, apesar de a taxa do Fed ser de 1%.

Nesse caso específico, a disparidade se deve ao fato de os gigantes hipotecários Fannie Mae e Freddie Mac, que sofretam intervenção do Governo, estarem dispostos a fazer empréstimos quase sem nenhum custo, disse à Agência Efe James Hamilton, professor na Universidade da Califórnia.

Na prática, isso significa que, para os bancos americanos, o dinheiro nunca esteve tão barato.

No entanto, para os consumidores e as empresas, a situação é muito diferente, já que enfrentam juros altos e muitas vezes sequer têm acesso a crédito.

Devido às turbulências no mercado financeiro, os bancos decidiram acumular recursos, de modo que praticamente tomaram horror a fazer um empréstimo a alguém que possa ser engolido pela onda de quebras que sacode os EUA.

É por essa razão que, se o Fed anunciar amanhã uma redução nos juros a curto prazo, isso terá pouco efeito na economia, segundo os especialistas.

"Baixar os juros não ajuda muito quando os bancos simplesmente não estão dispostos a emprestar", disse à Agência Efe Eswar Prasad, ex-diretor do Departamento de Estudos Financeiros do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ainda assim, a redução da taxa básica é uma arma importante, da qual o Fed certamente fará uso para evitar que a recessão que os EUA enfrentam há um ano vire uma depressão.

A maioria dos analistas acha que a entidade reduzirá os juros básicos em 0,5 ponto percentual, enquanto outros, em menor número, falam de um corte de 0,75 ponto.

Segundo Prasad, a probabilidade é que, se a situação se agravar, o Fed reduza os juros para 0% em sua reunião de janeiro.

O Deutsche Bank, no entanto, disse hoje em uma análise para seus clientes que, provavelmente, o banco central americano mantenha a taxa básica em 0,5% durante todo o ano que vem, já que juros menores acabariam com a rentabilidade já minúscula das contas no mercado monetário (money market), uma fonte-chave para financiamentos a curto prazo.

O medo é que os poupadores simplesmente deixem seu dinheiro debaixo do colchão ou talvez em contas correntes.

A aversão ao risco é tal que, na semana passada, o Governo vendeu Letras do Tesouro a 30 dias com uma rentabilidade de 0%.

Neste contexto, o que o Fed fizer com os juros é "irrelevante", segundo Hamilton, o professor da Universidade da Califórnia.

Em razão do cenário atual, os analistas ficarão atentos a qualquer declaração que o banco central der no sentido de que intervirá na economia por meios heterodoxos, caminho já trilhado em situações igualmente adversas.

Nas últimas semanas, um novo fantasma passou a assombrar a economia americana: o da deflação. Em outubro, por exemplo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu 1%, enquanto, em novembro, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) recuou 2,2%.

A questão é que a deflação eleva as taxas de juros reais e é extremamente prejudicial para a economia, já que, com a queda dos preços, consumidores e empresas adiam suas compras, à espera de mais reduções.

O Fed começou a combater esse risco aumentando a base monetária, ou seja, imprimindo e colocando novas notas em circulação.

Além disso, sugeriu ao Congresso que lhe dê poder para emitir seus próprios bônus. EFE cma/sc

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