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O temor de uma recessão mundial agitou nesta quinta-feira os mercados mundiais, que se mantiveram instáveis, em meio a uma cascata de más notícias empresariais, entre elas a incerteza que paira sobre países como a Argentina e a uma possível alta dos preços do petróleo.

Agora, os investidores se concentram na decisão que será tomada, nesta sexta, em uma reunião de urgência, em Viena, pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) para frear a queda dos preços da commodity. A perspectiva de um corte da oferta da Opep, que controla 40% da produção mundial, provocou uma alta de mais de dois dólares nas cotações do cru.

Pouco antes das 16h GMT (13h de Brasília), o barril Brent do Mar do Norte era negociado a 67,07 dólares, em Londres, enquanto que o "light sweet crude" se situava em 69,05 dólares o barril, em Nova York.

Em uma nova tentativa de devolver confiança aos mercados, a presidência francesa da UE anunciou uma cúpula dos chefes de Estado e de Governo europeus para 7 de novembro, em Bruxelas, com o objetivo de preparar a reunião do G-20, que acontece oito dias depois em Washington para tratar das conseqüências da crise.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, já anunciou a criação de um "fundo público de intervenção" de 100 bilhões de euros para "atuar em massa" em favor das "empresas estratégicas" que atravessarem dificuldades na França.

Paralelamente, o Tesouro americano disse trabalhar em um plano de proteção para os proprietários de imóveis em dificuldades.

Hoje, os investidores espanhóis se mostraram preocupados com a decisão do governo argentino de nacionalizar o sistema de aposentadorias. O governo espanhol "está em contato" com Buenos Aires para "defender os interesses das empresas", e o presidente José Luis Rodríguez Zapatero poderá se reunir com a presidente Cristina Kirchner na Cúpula Ibero-Americana da próxima semana, disseram fontes do governo.

A Bolsa de Buenos Aires, que afundou 10,11% na quarta-feira, parecia recuperar a calma, por volta das 16h30 GMT (13h30 de Brasília), com uma alta de 3,04%. Já os mercados do México e de São Paulo se mantinham no vermelho, com -2,99% e -2,31%, respectivamente. Na Ásia, as Bolsas fecharam a sessão com perdas. Tóquio cedeu 2,46%; Hong Kong, 3,54%; e Xangai, 1,07%.

Os anúncios das empresas também mostram que a crise não se limita à esfera financeira. Os mercados se ajustaram à queda do lucro semestral da Sony (-72%), ao anúncio do fabricante sueco Volvo de cortar mais 850 vagas, além das 1.400 já divulgadas, e ao fechamento de uma fábrica americana da Chrysler em Delaware, assim como a eliminação de 1.800 postos de trabalho. Seu concorrente General Motors também estuda um plano de demissões.

Os bancos tampouco vêem luz no fim do túnel. O americano Goldman Sachs se dispõe a reduzir 10% de seu pessoal, o que significa cortar mais de 3.000 vagas, segundo o "Wall Street Journal".

Já o Banco Central Europeu (BCE) afirmou estar "em posição" de reduzir as taxas de juros, notícia que, caso se confirme, proporcionará um certo alívio aos mercados.

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