Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Com fusão, Itaú-Unibanco se lança como player global

Por Aluísio Alves e Daniela Machado SÃO PAULO (Reuters) - Com a fusão anunciada nesta segunda-feira, Itaú e Unibanco pretendem se tornar em cinco anos a primeira instituição financeira do Brasil com porte global, a começar da América Latina.

Reuters |

"O Brasil precisa ter um grande banco internacional e o grupo Itaú-Unibanco pode ser este banco", disse a jornalistas Roberto Setubal, presidente-executivo do Itaú e que assumirá a mesma função no conglomerado.

Os números dão suporte a essa expectativa. O grupo surge como a 17a maior empresa do mundo em capitalização de mercado, de acordo com dados da própria companhia, com 324 bilhões de dólares em ativos, 14,5 milhões de clientes e 21 por cento dos depósitos do sistema bancário no Brasil.

Ironicamente, a motivação de ambos de abrir mão da busca da dianteira no mercado doméstico sozinhos para juntar forças numa jornada global foi justamente o fortalecimento de um estrangeiro no quintal.

"Depois que o Santander ficou com o ABN, formou um novo tipo de concorrente", disse, ao lado de Setubal, Pedro Moreira Salles, que deixa a presidência-executiva do Unibanco para assumir a presidência do conselho diretor do novo grupo, referindo-se à união global de ambos, que praticamente dobrou a participação do banco espanhol no Brasil, em agosto de 2007.

Nos últimos 15 meses, foram "dezenas de conversas". As negociações foram mantidas em sigilo até a última quinta-feira, poucos dias depois de ambos os bancos terem sido obrigados a antecipar seus resultados trimestrais para tentar acalmar os investidores, que temiam a contaminação da crise global.

"A crise talvez tenha criado uma oportunidade, uma vontade de acelerar isso, de fazer o projeto acontecer", admitiu Setubal.

A transação se deu com base na cotação de mercado das ações dos bancos nos 45 pregões anteriores ao anúncio. Por esse critério, o valor de cada ação preferencial do Itaú para efeito da relação de troca foi fixado em 26,2468 reais, enquanto cada unit do Itaú ficou em 7,5460 reais.

CRISE OU OPORTUNIDADE

Apesar de a conclusão do negócio ter sido precipitada por esse cenário adverso, ambos repetiram diversas vezes que a fusão não é para resolver problemas internos.

A evidência dessa leitura, segundo os executivos, é a folga nos níveis de comprometimento do capital. A alavancagem é de cerca de 5 vezes o patrimônio líquido. Nos Estados Unidos, essa relação chegou a ser de quase 40 vezes. E o índice de Basiléia é de 15 por cento, bem acima dos 11 por cento exigidos pelo BC.

Setubal também negou que a busca por ganhos de sinergia leve o conglomerado a cortes de empregos, redução da rede de agências ou mesmo maior rigor na concessão de empréstimos.

"Nós estamos olhando para crescimento do negócio, não para redução. Daqui a 3, 4 anos, teremos mais funcionários que hoje. Estamos buscando uma companhia maior, mais robusta, mais rentável", afirmou.

O grupo também reiterou o interesse pelas operações AIG, que mantinha operações de seguros no Brasil com o Unibanco. A companhia foi salva do colapso pelo Banco Central dos Estados Unidos.

"Temos muito interesse em adquirir", disse Moreira Salles.

NOVOS CAPÍTULOS

O entendimento predominante entre analistas é o de que o anúncio não trava a marcha da consolidação no Brasil. Mas restam agora aos demais bancos alternativas difíceis: comprar instituições de menor porte ou investir na expansão orgânica.

"Agora os concorrentes vão ter que rebolar", disse Nicholas Barbarisi, sócio da Hera Investment.

"O Unibanco era o banco para ser adquirido", emendou Carlos Daniel Coradi, diretor-presidente da consultoria EFC.

Em um exercício sobre o esforço que os bancos teriam que fazer para alcançar o novo Itaú-Unibanco, Coradi cita quem nem a compra de Votorantim e Safra, por exemplo, daria a liderança entre as instituições privadas de volta ao Bradesco.

Pelo ranking do Banco Central, com base em números de junho, Votorantim e Safra teriam ativos somados de 135,3 bilhões de reais. Mesmo numa eventual aquisição pelo Bradesco, os ativos totais chegariam a 483,7 bilhões de reais --abaixo dos 509 bilhões de reais de Itaú e Unibanco unidos.

Dados atualizados no próprio fato relevante sobre a fusão mostram os ativos de Itaú e Unibanco combinados em 575,1 bilhões de reais.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG