Belo Horizonte, 26 - O excesso de chuvas no início desta safra e o atraso na entrada da produção levaram o Sindicato da Indústria do Álcool e da Fabricação do Açúcar (Siamig/Sindaçúcar) a revisar para baixo as estimativas para a produção deste ano. As projeções iniciais indicavam um crescimento de 20% em 2008 em relação ao ano passado, para 43 milhões de toneladas e agora a expectativa é atingir um incremento de 14,7% para 41 milhões de toneladas.

A produção de etanol deverá aumentar 13,86% em comparação a 2007, para 2,02 bilhões de litros. A estimativa inicial previa uma alta de 16%, para 2,06 bilhões de litros. A revisão também atingiu a produção de açúcar, que deverá crescer 3,89% para 2,2 milhões de toneladas, ante uma previsão de incremento de 22,8%, para 2,6 milhões de toneladas. O volume de cana destinado à produção de etanol aumentou de 57,8% na safra passada para 60%, enquanto que para o açúcar o percentual caiu de 42,17% em 2007 para 40% nesta safra.

O presidente do Sindicato, Luiz Custódio Cotta Martins, esclareceu que as perspectivas eram de que quatro novas usinas entrassem em operação este ano, mas houve atraso no fornecimento de equipamentos e apenas três destas iniciaram a produção dentro do cronograma. A quarta unidade, localizada em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro deve iniciar a produção no próximo mês. Outro fator que prejudicou os resultados foi menor qualidade da matéria-prima. "Nesta safra a cana veio pobre em açúcar", diz.

Até o último dia 16 de agosto, o volume de processamento de cana aumentou 9,56% em relação ao mesmo período do ano passado, para 21,6 milhões de toneladas. Já o volume produzido de açúcar caiu 4,38%, para 1,1 milhão de toneladas e o de etanol subiu 13,1%, para 1 bilhão de litros.

Mecanização

Martins comentou ainda a assinatura do protocolo para eliminar a queima da cana de açúcar até 2014. As metas do documento são atingir 80% de mecanização das lavouras de cana de primeiro corte até 2009 e 100% até 2014. Atualmente no Estado apenas 36,7% da colheita é mecanizada e o processo emprega 20 mil pessoas.

De acordo com ele, até 2014, quando está prevista a eliminação total da queima, 58 usinas estarão em produção, com uma moagem de 100 milhões de toneladas de cana, além da produção de 5,5 bilhões de litros de etanol e 4,9 milhões de toneladas de açúcar. Além disso, as estimativas são de que 50% da palha de cana que não será queimada poderão ser utilizadas na co-geração de energia, com um potencial de gerar 587 MegaWatts (MW) de energia, potência acima da gerada pela usina de Três Marias, da Cemig.

Consumo

Apesar da revisão das estimativas de produção de cana-de-açúcar, Minas Gerais ultrapassou o Paraná e passou a ocupar a segunda colocação entre os maiores consumidores de álcool no País. Segundo informações do Siamig/Sindaçúcar, o consumo do combustível no Estado aumentou 82% para 427 milhões de litros entre janeiro e junho deste ano, na comparação com o mesmo intervalo de 2007. O Paraná ficou em terceiro com 406 milhões de litros. Minas ficou atrás apenas de São Paulo, onde o consumo atingiu 3,34 bilhões de litros no mesmo período, incremento de 37% em relação a janeiro e junho de 2007.

Segundo Martins, o resultado no primeiro semestre do ano é decorrente da queda de preços praticada pelas usinas. A alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços (ICMS) praticada pelo Estado ainda está em 25%, contra os 12% praticados em São Paulo. No entanto, como os usineiros ainda possuíam elevados estoques de álcool produzido na safra passada, a saída foi vender abaixo do custo de produção. Dessa forma, a relação entre os preços do álcool e da gasolina caiu de 70% para 67%, estimulando o consumo nos veículos bicombustíveis (flex fuel).

O presidente do sindicato informou ainda que os usineiros continuam em negociações com o governo do Estado para equalizar a cobrança de tributos com São Paulo, mas as perspectivas são de que a redução ocorra apenas após a aprovação da Reforma Tributária.

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