Pela segunda vez na semana o pânico tomou conta das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) que se aproximou do circuit breaker, medida cautelar que pára as negociações automaticamente em caso de oscilação brusca, porque na mínima do dia, no início da tarde, o índice Bovespa chegou a cair 9,41%, aos 45.113 pontos. No fechamento, o Ibovespa reduziu as perdas, mas encerrou em queda de 7,34%, para 46.145. O volume financeiro na bolsa foi de R$ 5,4 bilhões. Em Wall Street, o índice Dow Jones perdeu 3,2%. O Nasdaq desabou 4,5%.

Na máxima, chegou a operar ligeiramente no azul, em alta de 0,01% (49.805 pontos). Com a queda de hoje, o Ibovespa acumula neste ano perda de 27,77%.

A máxima "vende tudo a qualquer preço" ditou o rumo dos negócios nesta quinta-feira, depois de uma série de notícias negativas. Os mercados de crédito seguem inoperantes apesar do avanço nos trâmites do pacote de ajuda ao setor financeira dos EUA. Além disso, mais uma rodada de dados aponta que, com ajuda aos bancos ou não, a economia dos EUA desacelera de forma acentuada.

Entre os ativos de maior peso na carteira, Petrobras PN caiu 8,16%, para R$ 32,05; Vale PNA perdeu 10,09%, para a R$ 29,40; BM & FBovespa ON teve baixa de 7,59%, para R$ 8,40; Bradesco PN se desvalorizou 6,73%, a R$ 28,80; e Vale ON diminuiu 10,55%, para R$ 32,55.

No encerramento, as maiores quedas do Ibovespa foram registradas por Cesp PNB (-18,22%), Lojas Renner ON (-16,04%) e Gafisa ON (-12,57%). Apenas três ações do índice encerraram no azul: TIM Participações ON, com elevação de 0,56%; Sabesp ON, com acréscimo de 0,37%, e Comgás PNA, com alta de 0,35%.

A acentuada incerteza externa também puxou uma nova disparada no preço do dólar, que fechou com valorização de 4,99%, cotado a R$ 2,021 ( leia mais sobre fechamento do dólar ).

Nem mesmo a aprovação do plano de resgate norte-americano no Senado, na noite de quarta-feira, acalmou os mercados. A percepção de que o pacote não vai livrar a economia dos EUA de uma recessão e a expectativa com o resultado da votação na Câmara, onde foi rejeitado na segunda-feira (dia 29), que pode ocorrer na sexta-feira, mantiveram os investidores pessimistas.

Embora o pacote evite o pior - uma crise sistêmica, com quebra em massa de bancos - isso ainda não vai evitar o enxugamento dos bancos, alertou o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartzman. "A gente vai passar por um período longo de muita dificuldade econômica. De fato, (o plano) só evitou o abismo, mas não evitou a recessão", afirmou.

As atenções estão agora concentradas na votação de amanhã, na Câmara dos Representantes dos EUA. Há expectativa de que, após as modificações, o projeto também seja aprovado pelos deputados (que na segunda-feira passada rejeitaram a proposta original). O horário da votação não foi marcado, mas um assessor da liderança do Partido Democrata disse que ela deverá acontecer entre 13h30 e 14 horas (de Brasília).

(Com informações do Valor Online e Agência Estado)

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