Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentaram com o agravamento da crise e atingiram o recorde de R$ 86,594 bilhões nos 12 meses encerrados em outubro. No ano, as liberações acumuladas de janeiro a outubro somam R$ 71,5 bilhões.

"Certamente, chegaremos a R$ 90 bilhões este ano", disse o presidente da instituição, Luciano Coutinho, citando uma cifra que até a semana passada só era esperada para o ano que vem.

Para Coutinho, os números do desempenho do banco no mês passado, quando foram liberados R$ 10,172 bilhões, indicam "manutenção da aceleração do investimento", apesar da crise. Os novos pedidos formais de recursos ao banco em outubro, primeiro mês inteiro depois do agravamento da crise, atingiram R$ 21,409 bilhões. As consultas por financiamento acumulam R$ 152 bilhões de janeiro a outubro e R$ 175 bilhões em 12 meses.

"A crise não chegou ao BNDES", disse Coutinho. No entanto, ele admite que "é possível" que a demanda tenha aumentado justamente pela restrição de crédito privado provocada pela crise. Coutinho considera que pode ter havido um desvio de empresas que buscavam crédito externo, em dólar, para o BNDES. Por outro lado, ressaltou, "há um ciclo de investimento em infra-estrutura em plena aceleração e que não foi afetado de forma nenhuma pela crise".

Também disse que os números refletem "uma atuação mais afirmativa do BNDES na infra-estrutura, em exportação e ainda não reflete outras iniciativas em curso", como os créditos a empréstimos-ponte em infra-estrutura e capital de giro. Os volumes de aprovações, enquadramentos e consultas também foram recordes de acordo com gráficos distribuídos pelo banco.

As aprovações atingiram R$ 119,633 bilhões em 12 meses, R$ 90,5 bilhões de janeiro a outubro e R$ 14,437 bilhões só em outubro. Os enquadramentos (fase em que os projetos são aceitos) foram de R$ 154,089 bilhões em 12 meses, R$ 128 bilhões em 2008 e R$ 12,797 bilhões em outubro.

Segundo Coutinho, aprovações e enquadramentos mostram que os desembolsos do BNDES no ano que vem "continuarão firmes". Ele comentou que o governo dará os recursos que o banco precisar e também que a captação junto a organismos multilaterais deve ser superior aos US$ 2 bilhões obtidos este ano junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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