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Com apoio do Brasil, FAO pede revisão na política de biocombustíveis

Roma, 7 out (EFE).- A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) publicou hoje seu relatório anual, com apoio do Brasil, no qual disse que os biocombustíveis contribuem para o aumento do preço dos alimentos sem melhorar a segurança energética dos países.

EFE |

O relatório também afirma que ainda não se sabe ao certo se o uso destes biocombustíveis tem grandes benefícios para o meio ambiente.

Por estas razões, o diretor da entidade, Jacques Diouf, pediu que as políticas sobre biocombustíveis sejam revisadas.

"As políticas iniciadas para promover a produção e o uso dos biocombustíveis são cada vez mais questionadas", assegurou Diouf ao apresentar o relatório anual sobre "o estado mundial da agricultura e da alimentação", dedicado este ano ao assunto.

O diplomata senegalês explicou que "sem dúvida" os biocombustíveis gerados a partir das colheitas de cereais "contribuíram para o recente aumento dos preços dos alimentos".

Os altos preços dos alimentos provocaram durante o último ano um aumento da fome no mundo - o número de pessoas que não dispõem de alimentos suficientes passou de 848 milhões para 923 milhões, segundo estimativas da FAO.

Embora Diouf tenha reconhecido que "os biocombustíveis oferecem oportunidades", disse que até agora os mesmos apresentaram mais inconvenientes do que vantagens, sem solucionarem problemas como segurança energética ou redução clara das emissões de gases do efeito estufa.

Keith Wiebe, economista-chefe do serviço de desenvolvimento agrícola da FAO, afirmou que os biocombustíveis cobrem apenas 2% das necessidades energéticas do mundo.

O analista ressaltou, no entanto, que "mesmo se toda a produção de cereais do mundo se transformasse em biocombustível, só serviria para cobrir metade da demanda de petróleo no planeta".

Wiebe disse que a produção de etanol a partir do milho nos Estados Unidos reduz em 20% as emissões de gases do efeito estufa, enquanto na Europa, onde o produto é obtido das sementes de colza, os níveis são reduzidos entre 40% e 60%.

No entanto, afirmou que tais medições não consideram o carbono liberado pela mudança do uso da terra, que comporta a conversão de terras florestais em agricultura.

Embora ainda se desconheça qual seria o verdadeiro benefício caso se levasse em conta este carbono, os cientistas crêem que as reduções de gases que causam o efeito estufa ficarão praticamente canceladas, disse Wiebe.

A produção de biocombustíveis, que só é rentável quando o barril de petróleo está acima de US$ 55 a US$ 60, é sustentada com incentivos fiscais e barreiras comerciais, motivo pelo qual favoreceram somente os países mais desenvolvidos até o momento, segundo Diouf.

Por tais razões, pediu que "os esforços se encaminhem para manter o principal objetivo: libertar a humanidade do flagelo da fome".

Um caso à parte na questão dos biocombustíveis é o Brasil, segundo Wiebe, que disse que "há muito a se aprender" com o país.

O economista afirmou que no Brasil os biocombustíveis obtidos a partir da cana-de-açúcar representam 20% do combustível usado em transporte, não afetam o preço da matéria-prima nem de outros alimentos e reduzem as emissões de gases do efeito estufa entre 80% e 90%.

No entanto, afirmou que as autoridades brasileiras devem zelar para que não haja um desvio do uso das terras, como o desmatamento na floresta amazônica.

Sobre a atual crise financeira e sua influência na crise dos alimentos, o diretor-geral da FAO disse que ainda é cedo para saber a influência que pode ter, mas afirmou ser muito provável que sirva para piorar a situação. EFE alg/fh/fal

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