Temores causados pelos sinais de propagação da desaceleração norte-americana para as economias da Europa e da Ásia voltaram a dominar os mercados globais e deram suporte à alta do dólar nos mercados internacionais de moedas hoje. No mercado brasileiro, o dólar acompanhou a correção externa da moeda americana e terminou o dia em baixa pela sexta vez consecutiva.

A alta das cotações também foi influenciada por certa retração na oferta, provocada pela cautela dos investidores com o impacto negativo da desvalorização das matérias-primas (commodities) sobre a balança comercial. Também contribuiu para assegurar a apreciação do dólar a demanda de moeda para remessas ao exterior por parte de investidores que saíram da Bolsa de Valores de São Paulo. Às 17h07, a Bovespa caía 3,16%.

O dólar comercial fechou em alta de 0,50%, a R$ 1,616, o maior valor desde o encerramento em 16 de junho, a R$ 1,6250. Em agosto a moeda acumula ante o real alta de 3,46%. No ano, a queda acumulada recuou para 8,96%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista avançou 0,37%, cotado a R$ 1,614. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 3,420 bilhões.

Com a ampliação das perdas das commodities, o mercado cambial brasileiro iniciou a semana cauteloso com os desdobramentos dessa desvalorização. Se de um lado o movimento pode trazer alívio à inflação mundial, representa enorme desafio ao País, porque pelo menos metade das exportações são de matérias-primas. Uma queda generalizada nos preços de produtos básicos pode provocar um abrupto encolhimento do saldo comercial brasileiro. O saldo em transações correntes também tende a piorar ainda mais. Em julho, a diferença entre dólares que saíram e entraram no Brasil foi negativa em US$ 2,5 bilhões, o pior resultado desde 2006. Em junho, o saldo já havia ficado negativo em US$ 877 milhões. Embora o fluxo acumulado no ano se mantenha positivo em cerca de US$ 12,4 bilhões, há claramente uma mudança de tendência.

O mercado já esboçou essa expectativa na pesquisa semanal Focus, divulgada hoje pelo Banco Central. O documento mostra que as previsões para o déficit em conta corrente subiram para US$ 25 bilhões neste ano, contra US$ 24,9 bilhões previstos na pesquisa da semana passada.

Os dados semanais da balança divulgados hoje pelo BC corroboraram o sentimento de cautela. Embora a balança tenha registrado superávit de US$ 453 milhões nos seis primeiros dias úteis de agosto, o saldo é 54,24% menor que o superávit acumulado nas duas primeiras semanas de agosto de 2007.

No mercado internacional, o euro voltou a ser negociado abaixo de US$ 1,50 e, com isso, os preços do petróleo retomaram a trajetória de queda. O petróleo chegou a subir mais cedo, em reação ao conflito entre Rússia e Geórgia, mas a valorização do dólar acabou tendo maior influência. Com o declínio do petróleo, as commodities metálicas também registram baixa. O euro foi atingido por especulações de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia cortar o juro no ano que vem, após o presidente da instituição, Jean Claude Trichet, ter admitido na semana passada que a economia européia está desacelerando.

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