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SÃO PAULO - Elevada volatilidade, baixo volume financeiro e a quarta queda consecutiva, puxada pela queda das ações de empresas ligadas a commodities. Assim terminou o pregão da Bolsa de Valores de São Paulo nesta sexta-feira.


Com baixa de 0,41%, o Ibovespa recuou para 57.199 pontos, fechando a semana com queda acumulada de 4,6%. No mês, o índice já caiu 12%. O giro financeiro na bolsa foi de R$ 4,98 bilhões.

Mais uma vez, vendas de ações do setor de mineração e siderurgia, patrocinadas sobretudo por estrangeiros, foram a tônica dos negócios. Como têm maior peso na carteira teórica do que segmentos como varejo, que subiram, acabaram ditando o rumo do Ibovespa.

A ação ordinária da Usiminas liderou a coluna de perdas do índice, caindo 5,2%, para R$ 60,20. O setor de papel e celulose também teve um dia negativo, performance ilustrada pela queda de 4,2% da Aracruz, para R$ 10,46.

As blue chips terminaram o dia como começaram: sem definição. As preferenciais da Petrobras fecharam estáveis, a R$ 34,50, enquanto as preferenciais da Vale tiveram variação negativa de 0,05%, a R$ 37,98.

A pressão sobre o índice foi amortecida por ganhos setoriais pontuais. No aéreo, patrocinada pela queda do petróleo, a ação preferencial da TAM subiu 4,86%, a R$ 34,50.

"Papéis de empresas ligadas ao mercado doméstico, como varejistas e construtoras, estão caminhando mais ao sabor dos resultados trimestrais de empresas, que têm vindo bons", disse Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da Planner.

Varejistas e construtoras também tiveram um dia de recuperação, sob o comando do papel preferencial da Lojas Americanas, que avançou 4,36%, para R$ 11,50.

Dólar

O dólar continuou a perder valor ante o real e fechou a sexta-feira cotado a R$ 1,574, em queda de 32%. Foi o menor nível registrado desde 19 janeiro de 1999, poucos dias após a adoção do regime de câmbio livre.

"O principal (fator para a queda do dólar) é a migração de alguns investidores para fazer arbitragem de juros", disse Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.

Um dos principais ambientes para a realização dessas operações é a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Lá, os investidores estrangeiros já exibem 7,5 bilhões de dólares em posições vendidas em derivativos cambiais - contratos de dólar futuro e de cupom cambial.

Quando um investidor detém posição vendida em dólar, isso significa uma aposta na queda da moeda norte-americana. Junto com as operações de arbitragem, agentes de mercado têm percebido uma melhora no fluxo de entrada de recursos.

Sérgio Falcão, operador da SLW Corretora, afirmou que tem havido o ingresso consistente de dólares no país. Na primeira metade do mês, a saída de estrangeiros da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a principal responsável pelo déficit de 828 milhões de dólares no fluxo de câmbio.

Para a próxima semana, o mercado deve voltar a prestar mais atenção na conjuntura internacional, ao mesmo tempo em que busca um novo piso de referência. "Vão sair mais alguns balanços no exterior", disse Arruda.

O Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista na última hora de negócios. Foram aceitas duas das propostas divulgadas, segundo um operador, com taxa de corte de 1,5748 real.

Com informações do Valor Online e da Reuters

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