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Colheita de café alcança 40% do total, estima Conab

São Paulo, 18 - Cerca de 40% da safra de café 2008/09, estimada em 45,54 milhões de sacas de 60 quilos, já foi colhida até o momento pelos produtores. Nessa mesma época do ano passado, a colheita alcançava perto de 65%, conforme avaliação do analista de Mercado de Café, Jorge Queiroz, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Agência Estado |

As chuvas fora do momento ideal no segundo semestre de 2007 levaram ao atraso na florada dos cafezais. A conseqüência foi que a colheita da variedade arábica, que representa 75% da produção nacional, deveria começar em maio, mas acabou retardando para junho, explica Queiroz.

O analista informa que o mercado físico está paralisado por causa dos baixos preços do café, além da pouca oferta de produto novo. Segundo ele, os produtores de arábica estão em situação difícil porque a rentabilidade deixa a desejar. O custo médio total de produção está estimado em R$ 230 a saca de 60 quilos. O preço de venda, no entanto, está em cerca de R$ 250 a saca. "Nessas condições, o produtor aguarda elevação das cotações para vender seu produto".

Em melhor situação estão os produtores da variedade conillon, que representa 25% da produção nacional. De acordo Queiroz, o custo médio total de produção do conillon está em R$ 135 a saca. No mercado, o produto é negociado a R$ 215 a saca. A rentabilidade é favorecida pelo aumento da demanda no mundo. "O conillon, ou robusta, é a base para produção de café solúvel, que tem boa aceitação nos países emergentes, no Leste Europeu, entre outros", diz.

Funcafé

Conforme Queiroz, a oferta nos bancos de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), estimados em cerca de R$ 1 bilhão, tem permitido que o cafeicultor ganhe fôlego, de modo a "não se desfazer precipitadamente do seu café, como antigamente".

Por causa do cenário de preocupação mundial com a inflação, possibilidade de diminuição de consumo de produtos e acesso de novos consumidores ao mercado, principalmente em países emergentes, levou o analista da Conab a revisar as contas sobre a exportação brasileira de café este ano.

Ante uma projeção inicial de 30 milhões a 31 milhões de sacas embarcadas em 2008, Queiroz prevê agora exportação entre 28,5 milhões e 29 milhões de sacas. No ano passado, de uma safra de 36,07 milhões de sacas, o Brasil exportou 27,8 milhões de sacas, ou 77% do total.

Ele acrescenta ainda que o fortalecimento do real em relação ao dólar contribui para a perda de competitividade do café no exterior. A maciça entrada de dólares no País, em particular depois de ter alcançado 'grau de investimento' pelas agências internacionais de risco, impede a desvalorização do real frente à moeda norte-americana e esse quadro não deve mudar em curto prazo.

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