Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Colheita da safra de laranja de SP ganha ritmo tardiamente

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - A colheita da safra de laranja no Estado de São Paulo, o principal produtor do Brasil, começou a ganhar ritmo apenas neste mês, tardiamente em relação aos anos anteriores, confirmando previsões de analistas que anteviram os efeitos do clima irregular no ano passado.

Reuters |

'Esta semana as indústrias já liberaram mais senhas para os caminhões irem para o portão (entregar a fruta). Agora estamos sentindo que tem um fluxo mais coerente com a época do ano', disse o analista Maurício Mendes, presidente da consultoria AgraFNP e integrante do Gconci, grupo especializado no setor.

Em agosto, quando a colheita já deveria estar a pleno vapor, algumas indústrias paulistas suspenderam o processamento da laranja ou diminuíram o ritmo de trabalho, em função da safra tardia --as variedades mais apreciadas pelas processadoras só agora estão chegando ao mercado.

As empresas do Estado respondem por quase a totalidade da exportação de suco de laranja do Brasil, o maior exportador mundial da commodity.

Analistas ressaltaram ainda que a mesma irregularidade nas chuvas do ano passado, que resultou no atraso na colheita, também coloca em xeque a produtividade dos pomares, à medida que se desenvolvem os trabalhos.

'Estávamos acreditando em uma safra em torno de 320 milhões de caixas, mas tenho ouvido algumas indústrias falando em menos do que isso até. Então, aparentemente vai ficar entre 300 e 320 milhões', acrescentou Mendes.

'O baixo rendimento é muito mais pela questão das floradas múltiplas... Em agosto o rendimento da fruta não esteve tão bom, daqui para frente deve melhorar', concordou Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

As atividades nos pomares se intensificam no momento em que o governo estadual realiza uma revisão de sua estimativa, de 368,2 milhões de caixas (de 40,8 kg).

Havia a expectativa de que a segunda previsão da safra fosse divulgada na semana que vem, mas ainda faltam ser amostrados pomares situados em propriedades das indústrias, segundo o governo paulista.

Fontes do mercado esperam que a previsão oficial de safra, que aponta um número levemente superior ao da temporada passada (365,8 milhões de caixas), seja reduzida para perto do que estimam os analistas e mesmo os produtores.

'Esperamos uma safra abaixo de 300 milhões. Esse número é fácil. É só pegar o número de pés produtivos estimados pela própria indústria (152 milhões de árvores) e colocar a produtividade estimada pelo governo (1,8 caixa por planta)', disse o presidente da Associtrus (Associação Brasileira dos Citricultores), Flávio Viegas.

Segundo Viegas, essa produtividade, que tem base na média histórica, ainda não considera a quebra esperada em função dos problemas climáticos.

NFC

O atraso na safra das variedades mais apreciadas pela indústria também prejudica o setor, que cada vez mais tem exportado o suco não-concentrado (NFC, na sigla em inglês), um produto que demanda uma fruta com características específicas.

'A indústria paga por peso e não por conteúdo, ela prefere naturalmente ter uma laranja que renda um suco melhor em quantidade e em qualidade, sempre foi assim. Agora com o aumento da participação do NFC, por ser um produto menos 'blendável', que permite menos mistura de variedades, a questão da qualidade fica ainda mais importante', disse Mendes.

Ele explicou que com o suco congelado e concentrado a indústria pode armazenar o produto de uma determinada característica e fazer o 'blend' depois. 'No NFC, é muito limitada essa mistura.'

O analista destacou que as exportações de NFC, cujo volume de água é bem maior do que no concentrado, 'tem crescido uma barbaridade', superando em volume até mesmo as do concentrado.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG