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CNI prevê expansão de 2,4% no PIB em 2009

A economia brasileira sofrerá uma forte desaceleração no ano que vem e, por isso, é possível que o Banco Central (BC) faça um corte de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros básica, a Selic, já em janeiro, segundo o cenário desenhado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 2,4% em 2009, ante 5,7% este ano.

Agência Estado |

No cenário mais negativo, a CNI prevê expansão de 1,8% em 2009.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, classificou a projeção de "um pouco pessimista". Nas contas do governo, a expansão em 2009 será de 4%, mas os técnicos trabalham com até 2,5% de crescimento, na pior das hipóteses.

As projeções da CNI apontam para uma queda forte na taxa de expansão do PIB industrial, dos 6% deste ano para 1,8% em 2009. Os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo (FBCF), deverão crescer 3%, ante os 14,4% este ano.

Mesmo com as medidas adotadas pelo governo, o consumo das famílias, que cresceu 6,1% este ano, deve cair para 3% no ano que vem. Apesar disso, o desemprego não deverá disparar. De 7,9% este ano, deverá chegar a 8,2% no ano que vem.

O esfriamento da produção e do consumo internos e a desaceleração mundial contribuirão para a inflação ser menor, segundo observou o gerente-executivo do Núcleo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Nesse quadro, há espaço para os juros caírem.

"A expectativa para janeiro é de um corte de 0,5 ponto porcentual na Selic, com uma seqüência de cortes de 0,25 ponto que acumularão a queda de 2,5 pontos porcentuais até o fim do ano", disse.

O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, acha que o BC, que estava sob forte pressão política para baixar a taxa, decidiu mantê-la em 13,75% ao ano em parte para demonstrar autonomia. E fez um apelo: "Ninguém tem mais dúvida de que vocês têm autonomia, não precisam ficar reafirmando o tempo todo."
Para combater a crise, a CNI propõe novas medidas de estímulo da demanda.

Monteiro Neto defendeu que o corte do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que beneficiou pessoas físicas, seja estendido para as empresas. No longo prazo, defende a manutenção dos investimentos em infra-estrutura e avanço nas reformas estruturais, como a tributária, e microeconômicas, como a criação do Cadastro Positivo e a Lei do Gás.

A entidade avalia, ainda, que o maior risco em 2009 são as contas públicas. A desaceleração vai causar a queda na arrecadação, ao mesmo tempo em que o governo está determinado a aumentar os seus investimentos. O resultado pode ser o desequilíbrio no Orçamento. "É preciso dosar a intensidade dessa política", comentou Castelo Branco. Ele acredita que o superávit primário ficará em 3,35% do PIB em 2009, ante 4,25% este ano.

A CNI também prevê a queda no saldo comercial, para US$ 15 bilhões em 2009, com exportações de US$ 170 bilhões, ante US$ 198 bilhões neste ano. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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