A indústria deve continuar demitindo no primeiro semestre deste ano. Essa é uma das conclusões da Sondagem Industrial relativa ao quarto trimestre de 2008 divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O índice que mede a expectativa do setor para o emprego nas indústrias nos próximos seis meses ficou em 40,5 pontos. Como trata-se de um número inferior a 50 pontos, indica que, de maneira geral, haverá uma diminuição no número de vagas, já que a CNI considera números abaixo de 50 como sendo de contração e de 50 a 100, de expansão. "A expectativa é de redução no número de vagas", disse o economista da CNI Renato da Fonseca.

O índice que mediu a situação de emprego no quarto trimestre ficou em 44 pontos, o pior de toda a série histórica da sondagem da CNI, iniciada em janeiro de 1999. "A desaceleração da indústria era esperada, mas não com essa velocidade. A crise chegou muito forte", analisou Fonseca. O economista, entretanto, ponderou que o Brasil pode sair da crise mais rápido que outros países.

O levantamento da CNI mostrou também que o uso da capacidade instalada da indústria caiu de 80% no quarto trimestre de 2007 para 74% nos últimos três meses do ano passado.

Grandes empresas

A queda da atividade na indústria no quarto trimestre de 2008 foi puxada principalmente pelas grandes empresas, que tiveram o pior desempenho no período. Considerando as respostas dadas pelos empresários, o indicador que mede a produção nas grandes empresas no quarto trimestre ficou em 38,8 pontos, enquanto nas indústrias de médio porte a taxa foi de 42 pontos e, nas pequenas, de 42,3 pontos.

Do mesmo modo, o índice que mede a situação do emprego no setor ficou em 42,6 pontos para as grandes e em 46 pontos nas pequenas. As empresas de médio porte tiveram 43,8 pontos. Vale lembrar que, pelo critério da CNI, a pontuação vai de zero a 100 e notas inferiores a 50 indicam retração. "Como a crise afetou mais fortemente as exportações e o mercado externo, as grandes empresas que são exportadoras foram mais atingidas", disse o economista da entidade Renato da Fonseca.

Crédito

Pela Sondagem, o acesso ao crédito, de uma maneira geral, para todos os tamanhos de empresas, esteve numa situação delicada no quarto trimestre. O índice obtido a partir das entrevistas foi de 32,4 pontos, uma queda de mais de dez pontos em relação aos 42,6 do terceiro trimestre.

A CNI também identificou que a queda da demanda vem ganhando espaço na lista das principais preocupações das empresas. Com exceção da carga tributária, "hors concours", segundo Fonseca, na lista de preocupações do empresariado, a falta de demanda ganhou espaço e já é o segundo maior problema para as pequenas e grandes empresas. Para se ter uma ideia da mudança de cenário, no terceiro trimestre do ano passado, a demanda era apenas a sexta maior preocupação das pequenas indústrias e a sétima das grandes.

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