O faturamento real da indústria, em fevereiro deste ano, voltou a alcançar o mesmo nível de setembro de 2008, antes do início dos efeitos, no País, da crise financeira internacional, segundo dados divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco, disse que a tendência é de que o indicador continue no patamar de fevereiro.

O faturamento real da indústria, em fevereiro deste ano, voltou a alcançar o mesmo nível de setembro de 2008, antes do início dos efeitos, no País, da crise financeira internacional, segundo dados divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco, disse que a tendência é de que o indicador continue no patamar de fevereiro. "O mercado interno retomou o vigor de antes da crise", comentou. <p><p>Castelo Branco disse acreditar que, "talvez", as vendas de bens duráveis possam ter alguma redução nos próximos meses por causa do fim do benefício fiscal do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, no mês passado. "A redução do IPI alavancou as vendas desses segmentos. Com o aumento da tributação, é de se esperar um arrefecimento das vendas", afirmou o economista. Ele disse que o emprego também já está mostrando sinais de recuperação e já voltou, fora do setor industrial, a patamares que eram registrados antes da crise financeira internacional. Castelo Branco disse acreditar também que o indicador de emprego na indústria deve ultrapassar, no segundo trimestre deste ano, os níveis anteriores à crise.<p><p><b>Capacidade instalada</b><p><p>Castelo Branco afirmou ainda que a intensificação da atividade industrial em fevereiro ocorreu sem pressionar o uso da capacidade instalada. Na avaliação dele, o fato de ter havido aumento da produção com estabilidade no uso do parque fabril significa que projetos de expansão entraram em operação. A tendência, segundo o economista, é de que os investimentos realizados no ano passado entrem em maturação neste ano.<p><p>Castelo Branco disse acreditar que a capacidade instalada na indústria ainda subirá, porque continua cerca de 3 pontos porcentuais abaixo dos níveis de 2007 e 2008. Ele disse, no entanto, que não compartilha da percepção do Banco Central (BC) de que há pressões inflacionárias. "Essas pressões de inflação pouco se originam no setor industrial", afirmou. O economista disse que um aumento eventual nos níveis de inflação deve ocorrer por fatores sazonais, como as fortes chuvas registradas em alguns Estados, o que deve elevar os preços dos hortigranjeiros, e em função do reajuste de alguns contratos de prestação de serviços. <p><p>Do ponto de vista de Castelo Branco, o nível de utilização da capacidade instalada precisa ser suficientemente alto para estimular os investimentos. Ele afirmou que é necessário acabar com a síndrome de que o Brasil não pode aumentar o nível de utilização da capacidade instalada. "Isso não é ruim. Estimula o crescimento, que é a mola do investimento", argumentou.<p><p>Segundo Castelo Branco, o que está ocorrendo na indústria é um processo de redução da ociosidade excessiva. "Não percebemos um descompasso entre oferta e demanda. A existência de certa ociosidade no setor industrial, de 2 ou 3 pontos abaixo de 2007 e 2008, mesmo com crescimento forte da demanda, mostra que há espaço para que a oferta responda positivamente com o aumento da produção", afirmou o economista da CNI.
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