BRASÍLIA - O economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mol, acredita que o crescimento industrial em 2008 pode ter taxas recordes na média do ano. O cenário atual de juros em alta, porém, pode impedir que o segundo semestre repita o bom desempenho registrado no primeiro.

Não posso comprar otimismo num cenário de política monetária apertada, e com perspectivas de novas elevações dos juros daqui para a frente, comentou. Como todos sabem que o objetivo de juros em alta é reduzir a atividade econômica, é preciso ter cautela, porque a defasagem dos efeitos de política monetária é fluida.

Mol divulgou hoje que a indústria de transformação teve seu melhor desempenho em um primeiro semestre desde o início da pesquisa da CNI, em 2003. Mas com o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizando que estará na cola da inflação, ele acredita que o segundo semestre terá um ritmo de crescimento menor para a indústria.

É preciso ver os resultados de julho para saber se haverá ou não alguma inflexão, reiterou o economista. Mas ele cita que há dados positivos como o consumo em alta no país. O que explica a utilização da capacidade instalada (UCI) em níveis elevados para os padrões históricos - 83,1% em junho próximo ao pico de 83,5% de agosto de 2004.

Não houve reversão nas expectativas dos empresários, comentou ele, referindo-se à sondagem feita pela CNI em junho, quando o Copom já estava na trajetória de juros crescentes, reiniciada em abril último.

Mol destacou ainda que no indicador recorde de vendas reais do semestre em 8,4%, apenas dois setores apontaram retração: madeireiro com queda de 8% e produtos químicos, com 8,6%.

Ele explicou que, no caso da madeira, o setor passou por vários problemas, entre eles o câmbio baixo que reduz o faturamento de exportações. O principal é a indefinição no marco regulatório, que gera problemas de oferta.

Já o setor químico é muito complexo porque muito pulverizado, segundo Mol. Enquanto a área de fertilizantes vai bem, outras como a de tinta e vernizes têm paradas programadas e também são afetadas pelo câmbio, explicou.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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