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CNI: efeitos da crise chegaram rápido à economia real

O economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, disse hoje que surpreendeu a rapidez com que os efeitos da crise financeira internacional foram transmitidos para o lado real da economia. Segundo ele, os indicadores industriais de outubro mostram claramente que já houve uma inflexão no ritmo da economia.

Agência Estado |

"A rapidez com que a crise se alastrou acabou disseminada pelos dados de outubro", disse durante entrevista para avaliar os indicadores industriais de outubro, divulgados hoje pela CNI.

Ele atribuiu a retração das vendas reais e das horas trabalhadas em relação a setembro a dois fatores principais: a crise de liquidez, que, segundo ele, se alastrou não só para as empresas exportadoras mas também para o setor doméstico da economia, e a retração da demanda.

Castelo Branco destacou que no mercado externo já houve uma queda muito forte da demanda para um grande número de produtos, apesar da mudança de patamar do câmbio. Ele disse que as matérias-primas (commodities) e setores como siderurgia, mineração e celulose já estão sentindo uma queda na demanda mundial. "A conjugação desses dois fatores (crédito e demanda) mudou as condições domésticas", avaliou. Ele acredita que as empresas, com o atual cenário de redução de demanda, já vão começar a revisar os projetos de novos investimentos.

Dados da CNI mostram também que alguns setores da indústria ligados ao mercado interno já apresentaram uma forte desaceleração. O setor de veículos automotores, por exemplo, que teve um aumento de 22,9% no faturamento real em setembro ante setembro de 2007, registrou em outubro deste ano um crescimento de 9,1% em relação a outubro do ano passado. No setor de máquinas e equipamentos (bens de capital), a expansão do faturamento teve uma desaceleração de 31% registrados em setembro para 12% em outubro.

Castelo Branco disse que a atividade industrial mudou de patamar em outubro e deve mostrar novas retrações em novembro e dezembro. No entanto, ele afirmou que os resultados da indústria este ano ainda devem ser excepcionalmente elevados porque três quartos do ano foram dominados por um ritmo forte da economia. "Mas, essa inflexão vai dominar este último trimestre", afirmou. Para o economista, o quarto trimestre será de ajuste no ritmo de crescimento da atividade industrial.

Juros

O economista-chefe da CNI defendeu que o Banco Central volte a reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, depois de uma trajetória de elevação desde abril e manutenção desde outubro. Ele acredita que os indicadores industriais de outubro, que já mostram uma desaceleração da atividade, também refletem o ajuste da política monetária, já que os efeitos do aumento dos juros são defasados.

Castelo Branco acredita que não há mais pressão de demanda. "Isso mostra que a necessidade de elevação de juros foge de qualquer propósito. Seria bem razoável pensar em um afrouxamento monetário no início de 2009", disse.

Ele destacou, no entanto, que é preciso que o governo tenha preocupação agora com a taxa cobrada do tomador final nos empréstimos. Segundo ele, os juros na ponta já aumentaram bastante e o governo precisa pensar em como reverter esse cenário.

No entanto, segundo Castelo Branco, as medidas adotadas até agora pelo governo para dar liquidez ao mercado estão na direção correta, mas a crise alterou o quadro de crédito no País, que se tornou mais caro para as empresas e as famílias.

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