Rio de Janeiro, 3 set (EFE).- A fábricas brasileiras operaram em julho com 83,5% da capacidade instalada, o maior nível desde que o indicador começou a ser medido, em 2003, e um percentual que confirma o crescimento do setor neste ano, informou hoje a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo um estudo da CNI, o uso da capacidade instalada superou em um ponto percentual o de julho do ano passado (82,5%) e em 0,2 ponto o de junho deste ano (83,3%).

"A atividade industrial em julho segue em forte trajetória de expansão. O crescimento da atividade industrial em julho é especialmente relevante por ocorrer sobre uma base de comparação muito alta", diz o relatório.

"A atividade industrial começa o segundo semestre com nível intenso", disse o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

"Vem crescendo desde o final de 2007 e não deu sinais de desaceleração, mas esperamos um freio nos próximos meses devido ao aumento das taxas internas de juros e ao cenário internacional menos propício", advertiu.

Os setores da indústria com maior uso da capacidade instalada são metalurgia básica (94,8%), veículos automotores (90,3%) e refino de álcool (94,4%).

A CNI esclareceu que o uso da capacidade instalada aumentou muito abaixo do nível de expansão do número de empregos e horas trabalhadas, o que indica que a indústria está em processo de ampliação do parque industrial para continuar atendendo ao aumento da demanda.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha manifestado no ano passado seu temor de que o forte crescimento da demanda e o esgotamento da capacidade instalada da indústria pudessem provocar uma escassez de produtos e pressionar a inflação.

Os industriais disseram na época que vários setores estavam investindo no aumento de sua capacidade de produção, especialmente o siderúrgico, o metalúrgico e o de cimentos, a fim de garantir o abastecimento perante a crescente demanda.

O emprego nas fábricas cresceu 0,6% em julho frente ao mesmo mês do ano passado e 4,4% nos sete primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2007.

O número de horas trabalhadas na produção pelos funcionários aumentou 7,2% em julho em comparação com o mesmo mês do ano passado e 6,1% nos sete primeiros meses do ano frente à mesma época de 2007.

Segundo a CNI, o faturamento real da indústria cresceu 13,2% em julho frente ao mesmo mês de 2007 e 0,2% em relação a junho.

Já as vendas acumuladas das fábricas aumentaram 9% nos sete primeiros meses do ano, desempenho recorde e que supera a expansão de 5,5% medida entre janeiro e julho de 2004.

"Este ano está sendo muito melhor que 2004 e 2007", afirmou Castelo Branco, ao comparar o atual desempenho do setor com o obtido em seus dois melhores anos da última década. EFE cm/wr/rr

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