BRASÍLIA - Em oposição ao discurso de crítica recorrente ao descontrole fiscal do governo, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, elogiou hoje o resultado das contas públicas no primeiro semestre do ano. Os dados são positivos, afirmou ele, após receber o ministro da Fazenda, Guido Mantega, completando que o Fundo Soberano ficou melhor entendido pelos empresários.

Quero registrar que o desempenho fiscal do governo neste primeiro semestre teve comportamento positivo, disse Monteiro, em entrevista ao lado de Mantega após reunião fechada na entidade.

O presidente da CNI explicou que o ministro apresentou dados apontando que nesse período, o Brasil quase tem superávit nominal, as metas de superávit primário foram até ampliadas, e algumas despesas de custeio também foram positivas.

Ao falar sobre o que ficou mais esclarecido a respeito do Fundo Soberano, após explanação de Mantega, Monteiro afirmou que a discussão do fundo sugere haver um excedente que poderia ser aplicado fora do país. Mas o ministro teria deixado claro que a idéia fundamental que está inspirando essa iniciativa é a de ser um instrumento que reforce a necessidade de poupar para fazer com que a âncora fiscal se fortaleça no Brasil, e para também cumprir algum efeito anticíclico, quando isso for necessário.

O Fundo Soberano, segundo o governo, inicialmente terá como lastro recursos orçamentários equivalentes a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), que ao fim do ano se somarão à meta de economia de 3,8% do PIB para o pagamento de juros da dívida pública, o superávit fiscal. Poderá ter função anticíclica, ou seja, sua poupança servirá para épocas de menor crescimento no país.

O governo já apartou R$ 14,2 bilhões para o fundo e anunciou que, entre suas funções, o instrumento poderá abrigar dólares comprados no mercado interno pelo Tesouro, contribuindo para elevar a taxa de câmbio, além de ser usado para fortalecer operações de exportadoras no exterior. Tais objetivos, entretanto, dependem da aprovação do fundo pelo Congresso.

Nós entendemos, melhor, a idéia de criação do fundo, declarou Monteiro, motivo principal do convite a Mantega. Ele completou que o ministro também discutiu a questão da inflação, tema que está entre as preocupações dos empresários, junto com desonerações tributárias e acesso ao crédito por pequenas empresas.

Há notícias que apontam claramente para o arrefecimento e que os preços estão, pouco a pouco, se acomodando em níveis mais normais, disse o presidente da CNI. Mantega mencionou a desaceleração dos preços das commodities, em especial dos alimentos, e reiterou que todos os índices de preços estão captando variações menores que no início do ano.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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