O desemprego deve se intensificar ao longo deste primeiro trimestre e se estabilizar no segundo trimestre, previu o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, que disse procurar manter uma posição de otimismo responsável. Ele considerou muito importante a decisão do governo de disponibilizar mais R$ 100 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que interpreta como uma tentativa do governo de substituir fontes externas de financiamento que desapareceram com a crise internacional.

De acordo com ele, a iniciativa deve contribuir para melhorar o quadro em relação ao desemprego, já que investimento dá emprego. Também elogiou a determinação de redução dos spreads (diferença entre o juro do crédito e o custo de captação dos recursos pelo banco) por bancos públicos, como forma de induzir as demais instituições a baixarem suas taxas aos tomadores. No entanto, registrou que mesmo com a redução de um ponto porcentual decidida ontem pelo Banco Central, a taxa de juros básica, a Selic, ainda é alta e os spreads também. Além disso considerou que não seria realista, por parte do governo, vincular o crédito à exigência de que a empresa não possa demitir. "Como se mantém emprego se há uma variável que você não controla, que é a demanda?", questionou.

Desde outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registra queda do emprego na indústria. "Se vontade do legislador garantisse emprego, não haveria problema de desemprego no mundo. O que garante emprego é a sobrevivência da empresa", declarou. Segundo Monteiro, ainda há problemas de estoques em setores que já reduziram a produção como automóveis e autopeças.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Carlos Mariani Bittencourt, observou que na petroquímica os estoques foram formados com preços de fabricação mais altos, devido à queda de preços do petróleo e derivados, e as empresas terão que reconhecer prejuízos. Segundo Monteiro, a nafta caiu para um terço do preço que tinha antes da crise. Segundo Mariani, ainda haverá cerca de 90 dias para se vender os estoques do setor.

Monteiro e Mariani participaram de reunião com outros 22 empresários e executivos na Firjan, como a realizada ontem em São Paulo, organizada pelo Fórum Nacional do ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. A partir das reuniões será feito um documento com "uma agenda para o Brasil se relançar" depois da crise, que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "não necessariamente na semana que vem", segundo Monteiro. Entre as reivindicações dos empresários, informaram, estarão na agenda a desoneração de investimentos, a definição de marcos regulatórios e a redução dos spreads bancários.

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