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Belo Horizonte, 9 - O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, disse hoje que o setor espera concluir na próxima segunda-feira, com a equipe econômica do governo, as negociações em torno da conversão da dívida de R$ 2 bilhões junto ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) em produto. A proposta dos cafeicultores é de que o passivo seja convertido utilizando como referência o valor de R$ 320 por saca, por um prazo de 20 anos, com juros de 5% ao ano.

O volume de café resultante desta conversão poderia atingir 6 milhões de sacas e seria utilizado, segundo Ximenes, para recompor os estoques oficiais do governo. O presidente do CNC disse que o conselho ainda não avaliou a alternativa de transformação da dívida em Cédulas de Produto Rural (CPR's). Essa negociação não está incluída no pacote de apoio para alimentar o capital de giro das cooperativas agrícolas, estimado em R$ 2 bilhões.

Além disso, os cafeicultores mantêm o pleito para a realização de leilões de opções públicas de venda, com um montante de R$ 1 bilhão para a comercialização de 3 milhões de sacas. Para o presidente do CNC, a proposta solucionaria o endividamento do setor, que vem se arrastando desde 1995 com sucessivas renegociações. "A cafeicultura nunca esteve em um momento tão ruim e há muito tempo os preços do café estão abaixo do custo de produção. Acredito que seria mais barato para o governo fazer a conversão, porque os recursos não viriam do Tesouro", afirmou.

Caso não obtenha sucesso, o setor espera pressionar a equipe econômica do governo por meio de contatos que vem sendo feitos junto ao gabinete da Presidência da República. A reunião para discutir o assunto está prevista para a próxima segunda-feira, por volta das 18 horas, no Ministério da Fazenda, em Brasília.

Safra - Para o presidente do CNC, os resultados da primeira estimativa da safra de café divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não "traduzem a realidade" do setor. O levantamento prevê um volume de 36,9 milhões a 38,8 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado na safra 2009. Os números representam redução, de 19,8% a 15,6% em relação à colheita passada, de 46 milhões de sacas. De acordo com ele, as lavouras sofreram com a seca no ano passado e, em seguida, com chuvas de granizo em grandes regiões produtoras, com a alta dos preços dos insumos e a bianualidade natural da cultura. "Acredito que na segunda previsão os números serão menores".