Brasília, 09 - A crise internacional que limitou a oferta de crédito e derrubou o preço das commodities agrícolas no mercado internacional levou a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a revisar para baixo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio em 2008. A projeção atual prevê crescimento de 9% a 9,5%, contra a estimativa anterior que era de 11% a 12% no período que antecedeu a crise.

No ano passado, o PIB do setor foi de R$ 582,6 bilhões, o que representou um crescimento de 7,88%.

A assessora técnica da CNA, Rosimeire Santos, explicou que o bom resultado do PIB no primeiro semestre do ano permite projetar um crescimento próximo de 10% em 2008. No acumulado do ano até julho, o PIB do Agronegócio cresceu 6,79%, mostram números da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP).

A CNA também reduziu as expectativas de exportação de produtos agrícolas. No mês passado, a CNA havia estimado que os embarques do agronegócio renderiam US$ 74 bilhões. Hoje, a previsão é de embarques de US$ 72 bilhões. As importações também devem ser menores e somar US$ 11 bilhões, contra US$ 12 bilhões da previsão anterior. No ano passado, as importações de produtos agrícolas custaram US$ 8,7 bilhões. "Com o dólar volátil a tendência é de queda nas importações", disse o assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da CNA, Matheus Zanella.

Para 2009, ele não quis fazer uma projeção. Disse, no entanto, que a base das exportações em 2008 foi muito positiva e que uma elevação no próximo ano pode não ser tão grande. Zanella ainda ressaltou que as exportações dependerão da demanda por alimentos nos países da União Européia e na China. Em relação às importações de trigo, que podem encarecer por conta do câmbio, a expectativa da assessora é de abastecimento tranqüilo no curto prazo. Segundo ela, o mercado interno está abastecido e trigo está sendo vendido por preços abaixo do custo de produção.

Adiamento de Dívidas

Com a falta de crédito resultante da crise financeira internacional, a CNA pretende encaminhar ainda hoje aos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, um pedido para adiamento do pagamento das dívidas de investimento que vencem no dia 14 de outubro. O pedido é para prorrogação para 30 de maio de 2009. Essas dívidas somam R$ 5 bilhões. O outro pleito é para que seja flexibilizada a resolução 2.682 de 1999 que define os critérios para a classificação de risco das operações do crédito rural. Com essa flexibilização, explicou a técnica, todos os produtores terão acesso ao crédito rural, o que não acontece agora.

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