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Brasília, 03 - A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, cobrou hoje mão firme e agilidade do governo na operação dos leilões de formação dos estoques para evitar a queda dos preços na comercialização da safra agrícola. A senadora advertiu que é grave o quadro, porque apenas 20% foram comercializados em dezembro, quando, tradicionalmente, todos os anos, 80% da chamada safra verde de grãos são vendidos nesse período.

Kátia Abreu alertou que o governo precisa garantir mais R$ 2 bilhões para a comercialização da safra, além dos R$ 3 bilhões já assegurados no Orçamento da União. Segundo ela, o governo não pode perder o "timing" certo para fazer os leilões, sob risco de os preços caírem para um patamar "irrecuperável".

A dirigente da CNA disse que, com a baixa comercialização registrada até agora, haverá um acúmulo de produtos a serem vendidos e os preços serão ainda mais pressionados. "Isso traz queda de preços em qualquer segmento, estamos esperando mão firme e ágil do governo no sentido de tirar o produto do mercado. É um instrumento de comercialização que nós temos previsto na lei agrícola. O governo compra o produto, tira do mercado, faz estoque e restabelece o preço", disse a senadora ao chegar ao Ministério da Fazenda, para encontro com a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira.

Os leilões devem atender principalmente a comercialização do milho, soja, trigo e café. A CNA prevê uma quebra de 8% a 9% da safra de grãos neste ano e já teme a falta de crédito para a plantação da safra de 2009/10. Segundo Kátia Abreu, 75% da plantação da safra de grãos são financiados pelas chamadas tradings, multinacionais que ficaram sem crédito com a crise internacional e já avisaram que cortarão as linhas de financiamento. "Já ouvimos que haverá recuo de até 50%", relatou a presidente da CNA.