São Paulo, 08 - As chuvas que têm atingido as regiões produtoras de soja desde o início do ano estão favorecendo o desenvolvimento das lavouras e também fazendo com que o número de casos de ferrugem asiática aumente de forma expressiva. Entre o início de novembro, quando foi identificado o primeiro caso da doença na safra 2008/09 e o último dia de dezembro do ano passado, o Consórcio Antiferrugem, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), havia registrado 29 casos da doença.

Já nos sete primeiros dias de janeiro, o clima quente e úmido fez o número de focos subir para 55 - um avanço de 89,7% em uma semana.

Os Estados que apresentam maior incidência do fungo são Goiás e Mato Grosso do Sul, com 20 e 11 focos, respectivamente. Mesmo com a estiagem que ainda atinge o Paraná, a doença já foi identificada em sete situações, sendo cinco em lavouras comerciais, uma em unidades de alerta e uma em soja voluntária. "Infelizmente, o clima bom para soja também é bom para o aparecimento da doença. O fungo está no ar e só espera as condições mais favoráveis do clima para aparecer", afirma o pesquisador da Embrapa Soja Rafael Soares.

Em Mato Grosso, principal Estado produtor de soja do Brasil, a doença está aparentemente controlada, com apenas cinco focos identificados. Segundo David Martinotto, coordenador do projeto antiferrugem da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), o vazio sanitário tem contribuído no controle da doença, mas é a partir do atual estágio de desenvolvimento das lavouras que aumenta o risco de incidência do fungo. "O fungo está presente no Estado e vai ser o clima o fator determinante para o aparecimento mais rápido ou mais lento da ferrugem", afirma.

De acordo com Martinotto, o produtor está muito mais rigoroso no controle e monitoramento da doença nesta safra. Isso porque, com a falta de recursos para financiar a aquisição de insumos, a compra de fungicida que geralmente era suficiente para três ou quatro aplicações foi reduzida para um volume capaz de realizar apenas uma ou duas pulverizações. "Quem comprou menos fungicida está monitorando mais e usando a estrutura de laboratórios para identificar mais rapidamente a doença, quando é o caso", afirma Martinotto.

Apesar de o número de casos de ferrugem ter crescimento de forma expressiva em apenas uma semana, em comparação à safra passada o resultado ainda é considerado baixo. Entre novembro de 2007 e a primeira semana do ano passado, a Embrapa registrou o aparecimento de 133 casos de ferrugem em todo o Brasil. O número é 2,4 vezes maior que o registrado na safra atual e mostra que, apesar do recente crescimento, o clima até agora contribuiu para o controle da ferrugem. "É importante lembrar que, além das chuvas que estão correndo agora, a atual fase de desenvolvimento da soja também contribui para o aparecimento da ferrugem e o produtor não pode se descuidar", afirma Soares.

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