Rio de Janeiro, 20 ago (EFE) - O clima para os negócios na América Latina, que já tinha piorado no primeiro trimestre do ano, manteve sua tendência negativa no segundo trimestre, segundo o estudo Pesquisa Econômica da América Latina divulgado hoje. O trabalho, elaborado em conjunto pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Instituto de Estudos Econômicos da Universidade de Munique, afirma que o chamado Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina, que tinha caído de 5,2 pontos em janeiro até 4,9 pontos em abril, baixou agora para 4,6 pontos em julho. O índice medido em julho se situou 0,5 ponto percentual abaixo da média dos últimos dez anos (5,1 pontos) e não era tão baixo desde abril de 2002. Na classificação por países, o Brasil se manteve entre os três primeiros lugares como as economias com melhor clima para os negócios, antecedido por Uruguai e Peru. O índice de clima econômico médio nos últimos quatro trimestres do Uruguai subiu de 7,6 para 8,0 pontos entre abril e julho, o do Peru se manteve estável em 7,4 pontos e o do Brasil caiu de 6,6 pontos até 6,2 pontos. O Paraguai subiu da sétima à quarta posição, apesar de o índice ter caído de 6,3 pontos em abril a 5,8 pontos em julho, e a Colômbia se manteve em quinto, mesmo tendo retrocedendo de 6,0 a 5,6 pontos no mesmo período. A Costa Rica caiu do quarto ao sexto lugar, com seu índice baixando de 6,0 a 5,5 pontos, e o Chile saiu do sexto ao sétimo lugar, com uma queda de 5,6 a 5,3 pontos...

Em julho, os responsáveis pelo estudo entrevistaram 117 especialistas de 16 países para obter uma média do estado atual da economia e as expectativas em um futuro em 12 das maiores economias latino-americanas (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela).

"A deterioração do índice na América Latina segue uma tendência mundial. O índice para o mundo caiu de 4,6 pontos em abril para 4,1 pontos em julho", segundo o estudo.

"Mas enquanto o clima econômico continua em queda na América Latina, no mundo a recessão está em sua pior fase", acrescentou.

O relatório esclareceu que a deterioração do clima econômico na América Latina está mais relacionada ao pessimismo em torno das expectativas futuras do que frente à situação atual.

Enquanto o índice da situação atual na América Latina caiu só 0,1 ponto percentual, de 5,8 em abril para 5,7 em julho, o indicador sobre as expectativas futuras desceu de 4,0 pontos a 3,4 pontos no mesmo período.

"A situação atual é avaliada como satisfatória e está melhor que a média dos últimos dez anos (4,7 pontos), enquanto a percepção sobre o futuro está dois pontos abaixo da de julho do ano passado (5,4 pontos) e da média dos últimos dez anos (5,5 pontos)", indica o relatório. EFE cm/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.