Rio de Janeiro, 19 nov (EFE).- O clima para os negócios na América Latina em outubro deste ano retornou aos níveis anteriores à crise econômica global, com melhorias em quase todos os países, segundo uma pesquisa divulgada hoje pela Fundação Getulio Vargas.

Em outubro, o Índice de Clima Econômico (ICE) para a América Latina chegou a 5,2 pontos, acima dos 4 pontos que havia alcançado em julho.

O índice, que em janeiro passado caiu ao menor número do nível histórico (2,9 pontos), não era tão elevado desde janeiro de 2008, quando chegou a 5,2 pontos, segundo a Sondagem Econômica para a América Latina, que a FGV elabora trimestralmente desde 1990 em parceria com o instituto alemão Ifo.

Para a pesquisa de outubro, foram consultados 142 especialistas de 16 países da região.

De acordo com o estudo, além de ter crescido em outubro em praticamente todos os países, o ICE mostrou que o Brasil entrou em uma base de "boom" e conquistou os melhores resultados da região.

A melhoria do clima para negócios na América Latina ganhou um impulso principalmente pelo aumento do Índice de Expectativas (IE), que mede as expectativas dos especialistas para os próximos seis meses, e pelo Índice de Situação Atual (ISA), que reflete a opinião dos analistas sobre a conjuntura atual.

Em outubro, o IE da região chegou a 7 pontos, frente aos 5,4 pontos de julho e aos 2,3 pontos que havia caído no mesmo mês do ano passado. Este indicador não era tão elevado desde janeiro de 2003, quando chegou a 7 pontos.

O ISA subiu de 2,6 pontos, em julho, para 3,3 pontos, em outubro, ainda abaixo dos 4,2 pontos em que estava no mesmo mês do ano passado e muito distante dos 6,4 pontos de outubro de 2007.

De acordo com o estudo, assim como o resto do mundo, a América Latina está na fase de recuperação, com um ICE similar à média mundial (5,1 pontos), mas com ISA mais propício que a média global (2,9 pontos).

"Mas enquanto a maioria dos países desenvolvidos está em fase de recuperação do ciclo econômico, os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), com exceção da Rússia, estão na fase de "boom" com índices favoráveis tanto de situação atual como de expectativas", segundo a FGV.

O Brasil lidera a recuperação na região, com o ICE de 7,4 pontos, resultado do ISA de 6,4 pontos (contra 4,3 pontos em julho) e de um IE de 8,4 pontos (frente aos 6,6 pontos três meses antes).

Na pesquisa de julho, conforme os critérios da fundação, cinco países da América Latina estavam em fase de "boom" (Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru) e seis em fase de recessão (Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela).

Na pesquisa de outubro há três países em fase de "boom" (Brasil, Peru e Uruguai), cinco em fase de recuperação (Argentina, Chile, Colômbia, México e Paraguai), um no limite (Bolívia) e apenas dois em fase de recessão (Equador e Venezuela). EFE cm/dm

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