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Classe média dá impulso a jornais

Os trabalhos do segundo e último dia do 7º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), começaram com uma provocação. O palestrante convidado Earl Wilkinson, diretor-presidente da International Newsmedia Marketing Association (INMA), disse que a organização aboliu a palavra jornal do nome, porque não representa mais o espírito do negócio.

Agência Estado |

No lugar de "newspaper", entrou "newsmedia".

A INMA, presente em 82 países e mantida por mais de 1.500 empresas, vive de fornecer e difundir as melhores práticas a seus associados, entre os quais alguns dos principais jornais brasileiros. Ao todo, monitora mais de 11 mil diários, que produzem cerca de 500 milhões de exemplares por dia.

Tomando como exemplo o setor nos EUA, onde as empresas do ramo perderam valor de mercado com a forte expansão das mídias digitais - a receita publicitária dos jornais impressos caiu cerca de 20% nos últimos dois anos -, ele destacou que está em curso uma virada do padrão do negócio. Os jornais impressos precisam ampliar o foco e contabilizar as diferentes audiências no mundo físico e no digital.

Essa realidade veio para ficar. A sociedade contemporânea vive numa era de abundância, o que muda de forma definitiva a noção de valor. Para endossar a tese, Wilkinson observa que nas residências de famílias de classe média americana há mais aparelhos de TV do que pessoas. "Na casa do meu cunhado tem televisor até na garagem."A abundância de notícias, potencializada pela expansão da tecnologia digital, ampliou a capacidade de oferta, o que tem desnorteado muitas empresas.

O caso do jornal francês Libération é ilustrativo. Com fartura de recursos, resolveu oferecer um caderno extra, repleto de belos gráficos e informações. Surpresa: a tiragem despencou 30%. "Os leitores se sentiram culpados por não terem tempo para absorver o volume de informações ofertado. Diante disso, o jornal deixou de lado o projeto e as assinaturas voltaram a aumentar."

"Temos que reaprender a defender os valores do negócio." Um desses valores está, na opinião do palestrante, no papel que os jornais têm de "inspirar as pessoas". Ele recomenda seguir a classe média. Onde ela cresce, aumenta o consumo de jornais.

No Brasil, assim como em outras economias emergentes, a circulação de impressos cresce. E ele acha essa tendência natural, já que a classe média avança. Mesmo assim, os jornais devem mudar nos próximos cinco anos, porque do contrário pode ser demasiado tarde. Isso significa alterar o tamanho do negócio, diminuir as versões em papel e ampliar as digitais.

Os jornais estão perdendo espaço na forma tradicional, e isso, como já disse o empresário de mídia Rupert Murdoch, vem acontecendo desde a década de 50, lembrou Wilkinson. "As mudanças que afetaram o mercado americano acabarão chegando ao Brasil em dez ou 15 anos", diz ele.

Nelson Sirotsky, presidente do Grupo RBS e que por quatro anos presidiu a ANJ, considerou a apresentação elucidativa e bastante otimista. "Nós estamos fazendo a lição de casa. Não há hoje um jornal no Brasil que não tenha sua versão no online."

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