Uma das últimas a se instalar no Brasil na leva de novas montadoras que chegaram ao País a partir do fim dos anos 90, num período em que o mercado dava sinais de saturação e de que não haveria espaço para tantas fábricas, a PSA Peugeot Citroën já fala em ampliar a fábrica de Porto Real (RJ), que opera em três turnos e opera no limite da capacidade produtiva. O presidente da Citroën do Brasil, o francês Jean Louis Orphelin, no cargo há um mês, diz que em 2010 - quando o primeiro carro da marca desenvolvido no Brasil começar a ser produzido - serão necessários novos investimentos para ampliação da fábrica, inaugurada em 2001.

Naquele ano, as vendas somaram 1,6 milhão de veículos, volume que nos três anos seguintes despencou ainda mais.

Embora detenha 2,5% do mercado brasileiro, a marca conta com aval da matriz francesa para novos investimentos, já que o Brasil é o mercado em que a Citroën mais cresce atualmente. As vendas neste ano aumentaram 80%, enquanto na Rússia cresceram 45%, na China 12% e na França 5%. "O segundo semestre será mais fraco, por isso apostamos que fecharemos o ano com aumento de 55%, ainda assim o mais alto do grupo", diz Orphelin. A expectativa é de vendas de 78 mil a 80 mil carros até dezembro.

Ontem à tarde, depois de apresentar o novo C3 à imprensa, ele participou de teleconferência com dirigentes da matriz para informar as projeções do mercado brasileiro. Para este ano, ele prevê crescimento de 24% (pouco mais de 3 milhões de veículos). Para 2009 a projeção é bem mais modesta, de um aumento de 5% a 10% para o mercado, mas de 25% para a Citroën, que espera chegar a 100 mil unidades vendidas e passar de 150 mil no ano seguinte.

A empresa quer se preparar para atender a demanda. "Em janeiro e fevereiro faltaram 2 mil carros", lamenta o executivo, ao admitir que o grupo errou nas projeções. Até julho, o mercado brasileiro vendeu 1,695 milhão de veículos, 30,4% a mais que em igual período de 2007. A Citroën vendeu 41.550 automóveis, contra 23,1 mil nos sete meses do ano passado.

A fábrica de Porto Real produz diariamente 300 modelos da Peugeot e 270 da Citroën. De 2008 a 2010, o grupo vai investir US$ 300 milhões no Brasil e US$ 200 milhões na Argentina, de onde importa o Citroën C4 Pallas e o Peugeot 307. Para a ampliação da fábrica carioca, nova verba será liberada.

Lançamentos

O C3 reestilizado começará a ser vendido na próxima semana pelo mesmo preço do modelo antigo (a partir de 39.990), embora tenha passado por mudanças estéticas e agregado itens como ar condicionado digital, acendimento automático dos faróis e acionamento automático do limpador de pára-brisas.

"Temos de acompanhar o mercado", afirma Orphelin, que admite perda de espaço do C3 para o Fiat Punto, lançado há um ano. No mês passado, a Volkswagen lançou o novo Gol, e também manteve preços.

Em dois meses, a Citroën lançará o C3 com câmbio automático, que custará R$ 4 mil a mais. Em setembro chegará o C4 Pallas com motor flex. O C4 Picasso com 5 lugares importado da França e o C4 hatchback estão previstos para 2009. No ano seguinte, será a vez do primeiro modelo desenvolvido pela engenharia brasileira, provavelmente a minivan derivada do C3.

Juntas, Citroën e Peugeot detém 5,4% das vendas brasileiras e, como outras marcas que pertencem ao grupo das novatas (chamadas de newcomers), como a Toyota, sonham em alcançar pelo menos 10% do mercado.

A Toyota deu um passo a mais para atingir a meta ao anunciar a construção de nova fábrica em Sorocaba (SP) para um modelo compacto. A Citroën, segundo Orphelin, vai se preparar para essa concorrência com produto da mesma faixa.

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