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Venceu ontem o prazo para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) adquirir uma participação de mais de um terço no capital da cimenteira portuguesa Cimpor. E, segundo a imprensa portuguesa, a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela empresa falhou.

De acordo com o site do Jornal de Negócios, apenas os detentores de 10% das ações aceitaram vender seus papéis para a CSN. A meta da empresa brasileira era chegar a pelo menos um terço mais uma ação da cimenteira. Os sites das publicações Público e Diário Econômico, além da rede RTP, também falaram do fracasso da CSN. Os números finais da oferta só serão divulgados hoje pela Bolsa de Valores de Lisboa.

A oferta de compra da CSN pela Cimpor foi lançada oficialmente em 18 de dezembro, a um preço de 5,75 por ação. Inicialmente, o objetivo da siderúrgica brasileira era conseguir no mínimo 50% mais uma ação da Cimpor, configurando o controle da companhia. O valor oferecido, porém, foi considerado baixo pelo conselho de administração da cimenteira portuguesa, que recomendou aos acionistas que rejeitassem a oferta.

Depois da proposta feita pela CSN, outros dois grupos brasileiros entraram oficialmente na disputa pela empresa portuguesa: a Camargo Corrêa e a Votorantim. A Camargo chegou a propor uma fusão com a Cimpor, mas a CMVM, o órgão regulador do mercado de ações português, exigiu que a empresa brasileira fizesse uma oferta pública de aquisição para concorrer com a CSN.

Diante disso, a Camargo retirou sua oferta e passou a negociar diretamente com os acionistas da companhia. Este mês, a Camargo Corrêa fechou acordos que lhe garantiram uma fatia de cerca de 32% na Cimpor quase no limite para que não precisasse lançar uma OPA pelo restante das ações.

A Votorantim, por sua vez, não chegou a fazer uma oferta pública pela Cimpor. Mas, negociando diretamente com os acionistas, conseguiu comprar uma participação de 21% na cimenteira. Além disso, fechou um acordo de acionistas com a Caixa Geral de Depósitos, dona de outros cerca de 10% da companhia portuguesa.

O avanço das duas companhias que, juntas, garantiram direitos de votos equivalentes a mais de 60% das ações da Cimpor tornou o sucesso da oferta pública da CSN cada vez mais distante. A siderúrgica, porém, continuou negociando até o último minuto.

Para viabilizar sua proposta, a CSN tentou também impedir os negócios fechados entre Camargo Corrêa, Votorantim e Cimpor. A siderúrgica entrou no Cade com dois pedidos de medida cautelar para interromper a negociação. A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, chegou a dar razão à empresa: recomendou ao Cade que suspendesse os negócios, alegando que os acordos teriam grande potencial lesivo à concorrência no setor de cimento no Brasil a Votorantim é a maior produtora do País, a Camargo é a terceira e a Cimpor, a quarta.

O Cade, porém, descartou, na sexta-feira, suspender os acordos. O conselheiro Vinícius Carvalho, relator do processo, disse ter optado por firmar um acordo com a Votorantim para impedir que a empresa interfira nas decisões da Cimpor relacionadas ao Brasil. Um acordo no mesmo sentido com a Camargo Corrêa também está sendo negociado.

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