A despeito de várias tentativas dos antigos controladores de trazer executivos do mercado para administrá-lo, o hospital paulistano 9 de Julho continuava afundado em dívidas de mais de R$ 170 milhões ao ser adquirido pelo grupo EHSO, do empresário Edson Godoy Bueno, dono da Amil, dois anos atrás, por R$ 100 milhões. Essa situação de insolvência durou pouco tempo com a mudança de comando.

A despeito de várias tentativas dos antigos controladores de trazer executivos do mercado para administrá-lo, o hospital paulistano 9 de Julho continuava afundado em dívidas de mais de R$ 170 milhões ao ser adquirido pelo grupo EHSO, do empresário Edson Godoy Bueno, dono da Amil, dois anos atrás, por R$ 100 milhões. Essa situação de insolvência durou pouco tempo com a mudança de comando. Sob a direção do grupo de Bueno, o 9 de Julho começou uma fase de reestruturação, que passou pela troca de 90% da diretoria contratada pelos antigos donos, os herdeiros dos irmãos João e Antônio Ganme, que estiveram à frente da operação por 53 anos, e pela implementação de uma gestão por performance. Com isso, o faturamento, de R$ 184 milhões em 2006, o último ano sob a administração da família fundadora, passou a R$ 250 milhões em 2009. No mesmo período, o prejuízo de R$ 2 milhões deu lugar a um lucro de R$ 25 milhões no ano passado. A previsão para este ano é de que o valor estampado na última linha do balanço chegue R$ 36 milhões, turbinado por uma receita que deve bater na casa dos R$ 280 milhões. O engenheiro Luiz De Luca, que teve uma passagem de cinco anos pela General Eletric (GE), é um dos raros sobreviventes da equipe anterior. Quando assumiu o cargo, um pouco antes da venda para Godoy Bueno, De Luca passou a utilizar algumas das modernas ferramentas de gestão, artigo escasso no ramo da saúde, como a aferição do desempenho dos funcionários e dos serviços hospitalares prestados. Mensalmente, uma equipe do conselho de administração reúne-se para analisar os indicadores e repassar os resultados aos controladores - segundo ele, a meritocracia e a competência são valores inegociáveis. "Se algum dos meus funcionários é muito amigável e leal, ótimo, mas isso não garante o emprego dele", afirma De Luca. Uma das ideias estudadas por ele, com base no monitoramento das equipes, é o pagamento de remuneração variável, já praticado em outro hospital de São Paulo, o São Camilo. "Essa é uma forma de alinhar a equipe com nossos valores", diz De Luca. No final do ano passado vieram os resultados da profissionalização: em novembro, o hospital inaugurou uma ala para pacientes vip, com serviço semelhante aos das redes hoteleiras e equipamentos eletrônicos sofisticados. Além disso, obteve do BNDES a metade dos R$ 180 milhões previstos em seu plano de investimento nos próximos três anos (a outra metade, será bancada com recursos próprios), para ampliar a sua capacidade de atendimento. Ao término do plano de expansão do 9 de Julho, o número de leitos vai aumentar em mais de 70%, de 280 para 491. "É um movimento agressivo e oportuno num setor que está passando por uma fase de consolidação", afirma Roberto Campos de Lima, da consultoria 3Gen, de São Paulo. "Só os grandes jogadores vão continuar."
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