O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), decidiu convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir com líderes partidários e deputados o projeto que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB), considerado pelo governo uma das propostas que devem ser votadas com prioridade pelo Legislativo. A intenção de Chinaglia é a de aparar arestas.

O projeto do FSB foi criticado pela oposição e enfrenta resistência também entre deputados governistas. O projeto está em regime de urgência e trancando a pauta do plenário desde o dia 2 de setembro, com medidas provisórias.

"Devemos chamar o ministro para identificar as divergências e ver se é possível corrigi-las", explicou Chinaglia. Ele disse que se, mesmo assim, houver obstrução, o projeto vai à votação. O presidente da Câmara acrescentou que, em relação ao projeto inicial do governo, havia concordância e discordância. "Vamos convidar o ministro para passar a limpo essa proposta para ver se ela, do ponto de vista do governo, se mantém atualizada", disse.

Chinaglia disse acreditar que a crise financeira internacional poderá mudar o quadro de obstrução verificado em setembro, quando o projeto entrou na pauta do plenário. Hoje, no entanto, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que seu partido continuará combatendo a votação da proposta de criação do Fundo Soberano. Segundo ele, a obstrução deve começar nas votações das MPs que estão na pauta para serem votadas antes do projeto. Aleluia disse que a criação do fundo vai na contramão de soluções para a crise financeira internacional. "É a mesma coisa de uma família abrir uma caderneta de poupança, quando o chefe da família perde o emprego", comparou Aleluia.

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), argumentou em sentido contrário. Na avaliação dele, é importante a aprovação do projeto que cria o FSB, como defendeu o governo, ontem, em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com lideranças de partidos da base e ministros. "Há uma insistência na aprovação do Fundo Soberano e da reforma tributária. Politicamente, transmite uma sensação de vitalidade da economia brasileira. Nesse sentido, o recado seria bem dado", disse Temer.

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