Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

China vira o jogo na guerra dos chips

Como muitos empresários na China, Richard Chang dirige um negócio especializado em fabricar produtos sob medida para clientes no exterior, principalmente americanos. Só que, em vez de camisetas e calças jeans, o que sai da linha de montagem das sete fábricas que comanda são chips, as minúsculas peças que carregam a inteligência e a memória de quase tudo que permeia a vida moderna - de computadores e celulares a cartões de crédito e GPS.

Agência Estado |

Chang fundou a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) em 2000. Em menos de oito anos, transformou a empresa na maior fabricante de semicondutores da China e na terceira maior do mundo entre as grandes "foundries", nome que se dá às fábricas que produzem sob encomenda para terceiros.

Depois de passar 20 anos nos Estados Unidos e três em Taiwan, Chang conseguiu reunir em 2000 um grupo de investidores dispostos a colocar US$ 1,1 bilhão na criação da SMIC. Hoje, a empresa tem sete fábricas e uma unidade de montagem e teste, nas quais foi investido um total de US$ 6 bilhões.

A China entrou relativamente tarde nesse jogo, mas conseguiu se expandir rapidamente, apesar da fragilidade de seus mecanismos de proteção à propriedade intelectual. O país ainda está bem atrás de Taiwan, líder entre as "foundries", mas a distância caiu de maneira considerável nos últimos anos.

O principal fator que estimulou a indústria de semicondutores no país foi o 10º Plano Qüinqüenal, aprovado em 2000, que acabou com restrições para investimentos estrangeiros e estabeleceu uma série de incentivos para o desenvolvimento do setor, como a criação de parques industriais de alta tecnologia em Pequim e Xangai.

Com a transferência de linhas de montagem de multinacionais para a China, o país se transformou em um dos maiores consumidores mundiais de semicondutores, que são usados na fabricação de produtos finais, muitos dos quais para exportação. Mesmo com o aumento da produção local, a China importa 90% dos chips que utiliza, disse Chang ao Estado na sede da SMIC, em Xangai. Segundo ele, a grande demanda é outro fator que ajuda a explicar o rápido crescimento do setor.

Apesar disso, os principais clientes da SMIC são as americanas Qualcomm, Broadcom, NVIDIA e Marvell - empresas de alta tecnologia que não possuem fábricas de semicondutores e, por isso, são chamadas de "fabless". Essas companhias desenvolvem seus chips e contratam a SMIC para fabricá-lo dentro de suas especificações. A principal razão para elas não terem fábricas é o elevado investimento exigido.

Dependendo do grau de sofisticação de sua tecnologia, uma fábrica de semicondutores pode custar de US$ 800 milhões a US$ 3,5 bilhões, e há uma feroz corrida pela sofisticação, que torna muitos dos investimentos obsoletos em curto espaço de tempo. Na linha de montagem da SMIC há máquinas de US$ 60 milhões, que operam no chamado "quarto limpo", onde o número de partículas no ar é reduzidíssimo, para não comprometer a qualidade dos chips.

Quando olha para o mercado global, Chang avalia que o Brasil pode ser a nova região para desenvolvimento dessa indústria, por ter um grande mercado consumidor. Se a economia continuar a crescer e a renda a subir, mais pessoas vão ter condições de comprar celulares, computadores, carros e televisores, todos produtos que incluem chips em sua fabricação.

O Brasil tem um déficit crônico na balança comercial do setor eletroeletrônico em razão da importação de semicondutores e componentes para fabricação de produtos eletrônicos acabados. Essa é a principal razão pela qual o governo tenta há anos atrair uma fábrica de chips. No ano passado, a importação desses produtos provocou um déficit de US$ 14 bilhões na balança comercial do setor, e a previsão é que o número chegue a US$ 20 bilhões em 2008.

Segundo Chang, além do mercado consumidor, dois outros fatores são fundamentais para o desenvolvimento dessa indústria: apoio do governo e um parceiro que detenha a tecnologia de fabricação dos chips. Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura, China e Malásia só conseguiram sucesso no setor porque contaram com forte estímulo oficial, ressalta Chang. O principal deles é a isenção fiscal, mas também são importantes o fornecimento de infra-estrutura e a oferta de financiamento a baixo custo.

Eduardo Chakarian, consultor do Monitor Group em Cingapura, concorda que o suporte oficial é essencial, já que a indústria de chips exige pesados investimentos, impõe a necessidade de constante inovação e apresenta enormes riscos.

Em Cingapura, o governo deu início ao setor de semicondutores com a criação de uma empresa estatal para fabricá-los, a Chartered, que no ano passado ficou em quarto lugar no ranking global, atrás da SMIC.

"O governo de Cingapura queria atrair indústrias intensivas em mão-de-obra altamente qualificada e decidiu fundar a Chartered, para mostrar que tinha um compromisso de longo prazo com o setor e, assim, estimulou outras empresas a se instalarem no país", observa Chakarian. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG