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A China quer convocar reuniões com o Brasil para tratar da ideia do governo em Brasília de impor uma sobretaxa de 5% nas exportações de minérios do País. Na prática, a medida encareceria a compra da matéria-prima pelos chineses, um dos maiores compradores hoje do País.

"Teremos de tratar desse tema bilateralmente com o Brasil", confirmou ao Estado o embaixador da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), Sun Zhenyu. Ele ainda indica que essas consultas ocorrerão "discretamente" para tentar não manchar a ideia de uma aproximação política entre Brasília e Pequim.

A China seria um dos países afetados pela taxa à exportação no Brasil que o governo estuda. Mas Pequim vive uma situação única. O próprio governo chinês aplica sobretaxas às exportações de seus minérios e tanto a União Europeia como os Estados Unidos levaram Pequim há dois meses aos tribunais da OMC. "Essa questão da taxa às exportações se tornou uma faca de dois gumes para nós", admitiu o embaixador Sun.

Bruxelas e Washington acusaram a China na OMC de ter imposto sobretaxas sobre magnésio, zinco e outros minérios. A queixa é de que, com a taxa, Pequim concede vantagens às indústrias nacionais. Isso porque o preço interno da matéria-prima cai, tornando as indústrias chinesas ainda mais competitivas.

"As políticas chinesas para matérias-primas distorcem o mercado", acusou há um mês o representante de Comércio da Casa Branca, Ron Kirk. A queixa nos tribunais da OMC foi a primeira do presidente Barack Obama contra a China. A lista de produtos taxados na exportação ainda incluem bauxita e outros metais.

O debate entre americanos e chineses ocorre há dois anos. Mas agora se tornou uma disputa comercial. A ação contra Pequim foi apoiada pelos sindicatos de trabalhadores metalúrgicos dos EUA. Apesar de estar sendo atacada, Pequim agora admite que sofrerá se o Brasil seguir o mesmo caminho.

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