Até 2020, a China vai se consolidar como segundo maior parceiro comercial da América Latina e do Caribe. Em meados da próxima década, esse cenário começará a ser estampado nas estatísticas, de acordo com um estudo divulgado ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) que leva em conta a preservação da moeda chinesa valorizada.

Até 2020, a China vai se consolidar como segundo maior parceiro comercial da América Latina e do Caribe. Em meados da próxima década, esse cenário começará a ser estampado nas estatísticas, de acordo com um estudo divulgado ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) que leva em conta a preservação da moeda chinesa valorizada. A presença dos Estados Unidos no intercâmbio comercial de um conjunto de 16 países da região cairá expressivamente, enquanto a União Europeia tenderá a se mover em torno de sua atual posição. O estudo "A República Popular da China e a América Latina e Caribe: Rumo a uma Relação Estratégica" teve como alavanca a visita do presidente chinês, Hu Jintao, a três países da região. No Brasil, na próxima sexta-feira, Hu participará da reunião de cúpula do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), na qual um dos temas mais críticos será o impacto da taxa de câmbio chinesa, artificialmente valorizada há anos, no comércio mundial, e a regulação do sistema financeiro internacional. Yuan. "A maior contribuição que a China pode dar à economia mundial é a redução de seu superávit em conta corrente. A iniciativa fortaleceria seu mercado interno, valorizaria o yuan e reduziria as pressões inflacionárias", afirmou Osvaldo Rosales, diretor da Divisão de Comércio Internacional da Cepal e autor do estudo. "Mas não acredito que o câmbio chinês esteja na raiz de todos os males atuais. A China está madura para expandir suas exportações com base no aumento de produtividade." O estudo aponta que, em 2014, a China pode ultrapassar a União Europeia e assumir a posição de segundo mercado de destino das exportações da América Latina e Caribe. Os Estados Unidos sofrerão acentuado decréscimo em sua atual posição, mas preservarão o primeiro lugar. Em 2020, com seu segundo posto consolidado, a China responderá por 19,3% das exportações da região. No ano passado, essa parcela foi de 7,6% - no caso do Brasil, de 13,2%. Para montar essa previsão, Rosales mostrou-se conservador. Tomou como base a suposta manutenção da demanda americana e europeia pelos produtos latino-americanos e caribenhos, ao longo da década, e a redução pela metade do ritmo de compras da China no período, em relação à média dos anos 90. Também foi levada em conta a constatação de que a China "emergiu da crise fortalecida em sua base produtiva, tecnológica, financeira e com vínculos mais relevantes com a região da Ásia-Pacífico". Invasões. Em relação às importações, o comportamento será semelhante. A China consolidará o segundo posto em meados desta década e responderá por uma participação de 16,2% no total das compras externas da América Latina e Caribe em 2020. No ano passado, foi de 9,5% - de 12,46%, no caso do Brasil. O peso dos EUA encolherá de 33,1% para 26,1%, e a União Europeia manterá sua proporção em torno de 14%. Segundo Rosales, esse avanço chinês provavelmente não afetará apenas fatias de mercado hoje atendidas por produtos americanos e europeus. Poderá também atingir o comércio entre os países latino-americanos e caribenhos, como se vê no caso das trocas entre Argentina e Brasil, prejudicadas pelas "invasões" chinesas, e gerar problemas tópicos em setores mais sensíveis. Para se antecipar a possíveis controvérsias e à tendência de a China se perpetuar como importadora de commodities e exportadora de bens industrializados à região, a Cepal sugere que os países da América Latina e do Caribe criem um mecanismo formal de diálogo econômico e comercial com a China, a exemplo do que já fizeram a União Europeia e países da África. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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