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Primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, deixa claro que não vai ceder às pressões durante cúpula realizada em Bruxelas

Wen Jiabao, da China, resiste às pressões para mudar o câmbio
Getty Images
Wen Jiabao, da China, resiste às pressões para mudar o câmbio
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi claro na mensagem que enviou à Europa durante a cúpula bilateral realizada em Bruxelas: a China seguirá apoiando o euro mediante a compra de bônus dos países afetados pela crise, mas não cederá às pressões europeias para apreciar o iuane.

Wen assegurou que a China é "o verdadeiro amigo da Europa", demonstrado pelo fato de "não ter permanecido à parte quando alguns países da zona do euro estiveram em dificuldade". "Compramos uma grande quantidade de bônus europeus na época mais difícil, entre eles da Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália", disse o primeiro-ministro chinês, que repetiu que continuará com esta política enquanto "os países do euro tiverem problemas".

No entanto, pediu aos líderes políticos e empresariais europeus que deixem de pressionar a China para que permita uma maior flutuação de sua moeda pois, em sua opinião, uma apreciação poderia provocar uma crise no gigante asiático, com a perda de milhares de empregos e um "desastre" para a economia mundial. A valorização da moeda chinesa é uma reivindicação tanto dos Estados Unidos, como da Europa, que consideram que um iuane baixo favorece as exportações chinesas e penaliza os produtos americanos e europeus.

No entanto, Wen considerou que os desequilíbrios comerciais entre Europa e China respondem mais à estrutura do comércio internacional que ao valor do iuane, como demonstra o fato de que o superávit comercial chinês se multiplicou nos últimos anos apesar da alta controlada do valor da divisa chinesa. No caso europeu, o comércio bilateral com a China se triplicou entre 2000 e 2009, um período no qual o déficit comercial com o gigante asiático aumentou de 49 mil para 133 bilhões de euros, após alcançar um pico de 170 bilhões em 2008 (ano da explosão da crise).

Wen relatou estas ideias na cúpula UE-China realizada hoje em Bruxelas, na qual o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, exigiu uma "ampla e ordenada apreciação do iuane" para evitar danos à recuperação econômica da União Europeia que, como principal mercado das exportações chinesas, também afetaria negativamente o gigante asiático. Barroso também pediu que os anúncios feitos pela China a respeito da igualdade de tratamento às empresas europeias, a segurança da provisão de minerais raros (essencial para a indústria europeia) e a respeito da propriedade intelectual sejam traduzidos em medidas concretas.

"Queremos ver um verdadeiro progresso no terreno", disse Barroso. A cúpula de hoje foi precedida por uma reunião do primeiro-ministro chinês com representantes econômicos da zona do euro, que reprovaram a China por não ter tomado medidas efetivas para cumprir o compromisso de permitir uma maior flutuação de sua divisa, feito no dia 19 de junho, pouco antes da cúpula do G-20 de Toronto. O encontro de ontem com os líderes do euro supôs a terceira tentativa fracassada, desde 2007, de convencer as autoridades chinesas a apreciar sua moeda com o objetivo de reduzir os desequilíbrios comerciais com a Europa.

Até agora, a China ignorou reiteradamente os pedidos formuladas por ambos os lados do Atlântico, se negando a permitir uma significativa valorização de sua moeda, além de alguns pequenos aumentos desenhados para aplacar as críticas internacionais, como o anunciado em junho passado. A este respeito, Wen assegurou hoje que cumprirá seu compromisso formulado em junho, mas que manterá um iuane relativamente estável para dar estabilidade à economia chinesa. Por outro lado, Barroso e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, pediram progressos à China no desenvolvimento de um estado de direito e o respeito dos direitos humanos, "especialmente na ratificação da Convenção Internacional dos Direitos Civis e Políticos".

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