O relacionamento entre Brasil e China transcendeu o caráter bilateral e assumiu significado global estratégico, afirmou ontem o vice-ministro de Relações Exteriores da China responsável por América Latina, Li Jinzhang. Em briefing sobre a visita que o presidente Hu Jintao fará ao Brasil na próxima semana, Li ressaltou que os dois países possuem posições similares e interesses comuns nos organismos multilaterais e mantêm comunicação e coordenação em temas relacionados à crise financeira mundial, à mudança climática e à reforma da governança internacional.

O relacionamento entre Brasil e China transcendeu o caráter bilateral e assumiu significado global estratégico, afirmou ontem o vice-ministro de Relações Exteriores da China responsável por América Latina, Li Jinzhang. Em briefing sobre a visita que o presidente Hu Jintao fará ao Brasil na próxima semana, Li ressaltou que os dois países possuem posições similares e interesses comuns nos organismos multilaterais e mantêm comunicação e coordenação em temas relacionados à crise financeira mundial, à mudança climática e à reforma da governança internacional. "A China está pronta para intensificar sua cooperação e coordenação com o Brasil nas grandes questões internacionais, para a defesa dos interesses dos países em desenvolvimento, manutenção da paz e estabilidade mundial e promoção do desenvolvimento econômico e prosperidade globais", declarou Li, que acompanhará o presidente. Hu vai realizar uma visita bilateral ao Brasil e participar da segunda cúpula de dirigentes dos quatro países que formam a sigla BRIC - os outros dois são Rússia e Índia. O presidente chinês também irá à Venezuela e ao Chile. BRIC deixou de ser um termo econômico e se transformou em uma forma de cooperação entre "poderes emergentes", avaliou no mesmo briefing outro vice-ministro de Relações Exteriores, Cui Tinkai. "Como importantes mercados emergentes, os quatro países são a principal força do crescimento econômico global e contribuíram muito na luta contra a crise financeira global e a promoção da recuperação econômica", ressaltou Segundo Cui, a cúpula do BRIC vai tratar a situação econômica e financeira mundial, de temas relacionados ao G20, da reforma das instituições financeiras globais, de mudança climática e do diálogo e cooperação entre os quatro países. A expectativa é de que o encontro dê "ímpeto" político à reforma das instituições financeiras internacionais, incluindo a relativa ao aumento do poder de voto dos países emergentes, ressaltou Cui. Além do encontro dos líderes, haverá seminário empresarial, encontro de bancos comerciais, encontro de bancos de desenvolvimento, conferência de cooperativas e um evento de think tanks. A China espera que a cúpula do BRIC fortaleça o "consenso estratégico" e confiança mútua entre os quatro países e promova a cooperação "pragmática" entre eles. Na etapa dedicada à visita bilateral, Hu terá encontros com Lula e com os presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Entre os acordos que serão assinados por Hu e Lula está o Plano de Ação Conjunto, que estabelece as diretrizes do relacionamento bilateral para o período 2010-2014. Li disse que também serão assinados documentos nas áreas de energia, finanças, inspeção de qualidade, cultura e ciência e tecnologia. Antes do início da visita, representantes dos dois países terão reunião para discutir a entrada de carnes brasileiras no mercado chinês. A importação já foi aprovada, mas há demora na certificação de frigoríficos, o que na prática impede os embarques.
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