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China passa a ser o primeiro credor do Estado americano

A China se tornou o primeiro credor do Estado americano, um fato que demonstra mais uma vez a interdependência cada vez maior entre as economias destas duas potências mundiais.

AFP |

Pequim ampliou seus bônus do Tesouro americano de US$ 541,4 bilhões a US$ 585 bilhões entre agosto e setembro, superando o Japão, que fez o movimento contrário, passando de US$ 586 bilhões a US$ 573,2 bilhões de bônus durante o mesmo período, segundo as estatísticas do Tesouro.

Primeira potência econômica mundial, os Estados Unidos se apóiam há muito tempo nas compras de suas obrigações de Estado pelo exterior para financiar sua gigantesca dívida.

"O fenômeno mostra a ligação que existe entre o excesso de poupança chinesa e a falta de poupança nos Estados Unidos", comentou Jean-François Huchet, diretor do Centro de estudos francês sobre a China contemporânea (CEFC) em Hong Kong.

"Porém, ele também mostra os limites do que a China pode fazer" em termos de investimentos, acrescentou.

De fato, apesar de a China estar sentada em um colchão cheio de ouro - US$ 1,9 trilhão de reservas de câmbio em setembro - ela não dispõe de tantas possibilidades de investimentos "seguros".

Estas reservas estão aumentando rapidamente, trazendo ao país gigantescas quantidades de divisas num momento em que o yuan não é conversível e obrigando o Banco Central chinês a realizar operações de esterilização. Parte destes dólares vai diretamente para o exterior.

"Tem se falado muito nos dois últimos anos em diversificação de investimentos soberanos", mas sem muitos resultados, notou Huchet.

Pequim criou instituições justamente para favorecer esta diversificação, como o fundo soberano China Investment Corporation (CIC), lançado no segundo semestre de 2007.

Porém, "estas instituições são muito novas e já foram criticadas após investimentos na Blackstone e nos bancos", frisou o funcionário do CEFC. "Elas estão apenas começando a se posicionar no contexto de turbulências internacionais", ressaltou.

Em maio de 2007, Pequim investiu cerca de US$ 3 bilhões no fundo americano Blackstone, que passou a ser cotado em Bolsa no mês seguinte. Desde então, o fundo chinês viu seu investimento desaparecer com a queda das ações da Blackstone.

Apesar da crise, "as obrigações americanas continuam sendo um dos investimentos mais seguros do planeta para os chineses", segundo Huchet.

Para alguns analistas, o investimento chinês também tem como objetivo sustentar um dos principais parceiros econômicos do país.

"Os Estados Unidos precisam de ajuda, e penso que tanto a China como o Japão estao disposto a ajudar. Eles não vêem alternativa ao dólar no momento", declarou Andy Xie, um economista independente de Xangai.

"A China investe parte de suas imensas reservas nos Estados Unidos, pois deseja que as taxas de juros se mantenham moderadas naquele país. Suas exportações dependem da atitude dos consumidores americanos", explicou François Gipouloux, diretor de pesquisa no Centro Nacional francês de Pesquisa Científica (CNRS) convidado pela universidade Tsinghua em Pequim.

"É uma forma de apoiar o mercado americano, grande consumidor de exportações chinesas. No enntanto, há produtos mais rentáveis. Aliás, é exatamente o que algumas pessoas pensam na China, que seu dinheiro estaria melhor investido em outro lugar", acrescentou.

No entanto, este apoio também implica aumentar a interdependência das duas economias. A China não pode se livrar repentinamente de seus ativos em dólares, porque isso significaria "dar um tiro no próprio pé", segundo um analista ocidental.

"Haverá uma diversificação no longo prazo, mas ela acontecerá de forma progressiva", afirmou Jean-François Huchet.

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