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O governo chinês deve anunciar nos próximos dias que permitirá que sua moeda, o yuan, se valorize um pouco e varie mais. A medida que está sendo tomada por razões políticas domésticas, mas deve agradar ao governo Barack Obama, disseram ontem pessoas informadas sobre o consenso nascente em Pequim.

O governo chinês deve anunciar nos próximos dias que permitirá que sua moeda, o yuan, se valorize um pouco e varie mais. A medida que está sendo tomada por razões políticas domésticas, mas deve agradar ao governo Barack Obama, disseram ontem pessoas informadas sobre o consenso nascente em Pequim. Uma mudança na política monetária chinesa seria uma dádiva para o presidente Obama e o secretário do Tesouro, Timothy F. Geithner, que mantiveram um escrupuloso silêncio sobre a questão no mês passado, a despeito da pressão do Congresso por um confronto com Pequim. Muitos membros do Congresso e economistas dizem que, ao gastar muitas centenas de bilhões de dólares por ano para sustentar o valor do yuan, a China tornou suas exportações extremamente competitivas em mercados estrangeiros e subtraiu vendas de fabricantes dos Estados Unidos e de outros países. Embora o anúncio ainda possa ser adiado, o banco central da China parece ter prevalecido com seus argumentos dentro da liderança chinesa por uma moeda mais forte, porém mais flexível. Insistindo no anonimato, fontes de Pequim previram que a mudança de política da China poderia facilmente ocorrer antes de o presidente Hu Jintao chegar a Washington, na próxima semana, com o objetivo de discutir a segurança nuclear. Uma política monetária mais orientada para o mercado em Pequim, com uma tendência para um yuan mais forte, poderia ajudar a economia americana de muitas maneiras. Um yuan mais forte encarece os produtos chineses nos EUA e barateia os americanos na China, que está vendendo aos EUA mais de quatro vezes o que compra. Mais importante, ainda, uma decisão chinesa de fortalecer o yuan tornaria possível medidas semelhantes de muitos outros países, particularmente na Ásia, que informalmente atrelam o valor de suas moedas ao dólar. Exportadores como Japão, Coreia do Sul e Taiwan estão alertas para deixar suas moedas valorizarem temendo que suas exportações percam para exportações chinesas no mercado dos EUA. No entanto, funcionários do governo, especialmente Geithner, tentaram não dar a impressão de que uma mudança de política na China era consequência de pressões americanas, mas uma decisão baseada no que era melhor para a economia chinesa. Geithner manteve esse silêncio ontem, ao se reunir com autoridades importantes de Hong Kong, antes de voar no meio da tarde para Pequim para uma breve parada e uma reunião com o vice-premiê Wang Qishan. Uma nota do Tesouro após a reunião com Wang informou apenas que os dois haviam "trocado opiniões sobre as relações bilaterais, a situação econômica global e questões relativas ao futuro diálogo de acompanhamento econômico, a realizar-se em Pequim no fim de maio". Cheias de confiança, depois que a economia chinesa enfrentou a crise financeira mundial melhor que o Ocidente, autoridades chinesas optaram por permitir mais flutuações da moeda após determinarem que isso seria do interesse da China, e não por pressão do Ocidente, disseram as pessoas familiarizadas com o consenso emergente em Pequim, que são próximas do lado chinês da questão monetária, não do lado americano. Permitir a variação mais ampla da moeda também facilitará o trabalho do banco central no combate à inflação, que o premiê Wen identificou no mês passado como uma forte preocupação da liderança. A inflação está se acelerando mais na China que a maioria dos economistas ocidentais esperava. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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