Repetindo a ação que adotou depois da crise asiática, em 1997, a China deu início no fim de semana a um pacote de estímulo à atividade econômica, com anúncio de investimentos de 2 trilhões de yuans, o equivalente a US$ 292 bilhões, para a construção de ferrovias.

O valor representa 42% dos US$ 700 bilhões que Washington vai usar para salvar o sistema financeiro americano. O aumento do gasto público será a principal arma de Pequim para amenizar o impacto da crise global sobre a atividade econômica do país, que no trimestre passado teve expansão de 9%, o menor índice em cinco anos.

"Em 1997, lidamos com a crise asiática estimulando o crescimento doméstico por meio da construção de estradas. Agora, o dinheiro será destino ao aperfeiçoamento da rede ferroviária", disse ao jornal oficial China Daily o consultor de políticas públicas do Comitê Central do Partido Comunista, Zheng Xinli. Logo depois da crise asiática, a China realizou uma série de obras públicas, que incluíram a construção de 174 mil quilômetros de estradas e 35 aeroportos no período de 1998 a 2000. Em conseqüência, o ritmo de expansão do PIB desacelerou de 9,3%, em 1997, para 7,8% no ano seguinte, quando todos os países da região registraram quedas dramáticas na atividade econômica.

Segundo o Ministério das Ferrovias, dos 2 trilhões de yuans previstos, 1,2 trilhão já está liberado. Até 2010, a malha será aumentada dos atuais 78 mil quilômetros de extensão para 90 mil quilômetros. O China Daily afirmou que o investimento de 2 trilhões foi aprovado pelo Conselho de Estado, o gabinete dirigido pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, com a missão de "ajudar a impulsionar o crescimento econômico em meio à crise financeira mundial".

Apesar de ser a terceira maior do mundo, depois da norte-americana e da russa, a malha ferroviária chinesa está longe de atender à demanda do 1,3 bilhão de habitantes do país. Os trens costumam estar sempre lotados e o sistema chega à beira do colapso no período de Ano Novo chinês, quando milhões de pessoas viajam para encontrar suas famílias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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