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China fecha milhares de fábricas

Nas docas, as pilhas de contêineres que eram vistas nos viadutos próximos desapareceram. De acordo com encarregados de logística, toda semana eles negociam descontos cada vez maiores com os navios que deixam o porto só com metade da carga.

Agência Estado |

Na província de Guandgong, fábricas fecham as portas sem pagar os empregados. Em Sichuan e outras, autoridades municipais procuram desesperadamente meios de dar emprego a milhões de trabalhadores, que não estão sendo mais procurados para a agricultura.


Esses são os efeitos do fato de milhões de americanos terem perdido confiança na economia, sentirem-se mais pobres e, por isso, reduzirem seus gastos. Os varejistas americanos, depois de uma temporada desalentadora de compras de fim de ano, estão adiando o pagamento de produtos chineses para 90 ou até 120 dias depois do embarque, em contraste com os costumeiros 30 a 45 dias, obrigando os fornecedores a tomar emprestado mais dinheiro para cobrir a diferença. Alguns deles, não conseguindo levantar um empréstimo , estão fechando as empresas.

Ao mesmo tempo, os varejistas vêm exigindo que os exportadores comprovem que têm balancetes robustos e que não irão à falência antes da entrega das encomendas. E os exportadores, preocupados com uma possível falência dos varejistas, relutam em autorizar que as mercadorias sejam embarcadas. Os bancos, pela mesma razão, já não garantem os pagamentos devidos pelos varejistas aos exportadores. "O financiamento do comércio está entrando em colapso", disse Victor K. Fung, presidente do Li & Fung Group, que administra uma rede fornecedora que faz a conexão entre as fábricas na China e varejistas nos Estados Unidos e Europa. "Recebemos encomendas que não podemos despachar no momento".

Fung calcula que 10 mil das 60 mil fábricas na China, de propriedade de empresas de Hong Kong, fecharam ou serão fechadas nos próximos meses. Outros dizem que o número pode ser ainda mais alto e que os fechamentos de fábricas são um problema ainda maior entre as empresas chinesas do continente, porque são menores e com muito menos capital do que as de Hong Kong.

Estatísticas do governo mostram que as exportações chinesas caíram 2,2% em novembro, após sete anos de crescimento rápido. Mas esses dados, calculados em dólar, não indicam a profundidade real da queda. Se os números forem convertidos em moeda chinesa, a queda seria de 9,6% em novembro. Se for considerada a inflação no ano passado, o tombo foi de 11,4%. Há indicações de que os dados de dezembro são piores.

As fabricantes de produtos eletrônicos foram as mais afetadas, segundo os dados. "Ninguém tem mais dinheiro", disse Lion Yuan, gerente de vendas da Schenzen Yidahi Electronics, cujas exportações despencaram 30% no ano passado.

Nas últimas duas semanas, as autoridades chinesas anunciaram uma série de medidas para ajudar os exportadores. Os bancos estatais devem emprestar mais para esse segmento, especialmente para empresas de pequeno e médio portes. Estão sendo criados fundos de pesquisa pelo governo. O chefe de governo de Hong Kong, Donald Tsang, deve pedir autorização do legislativo para o governo garantir a emissão pelos bancos de cartas de crédito para os exportadores, num valor equivalente a US$ 12,9 bilhões.

Particularmente dignas de nota foram as medidas do governo chinês para ajudar os setores de mão-de-obra intensiva, como o de vestuário, uma das áreas que a China vem procurando se afastar, para estimular uma mão-de-obra mais qualificada. Mas agora reluta em ceder esses trabalhos de nível inferior para países como Vietnã, Indonésia e Bangladesh.

A China restaurou os reembolsos de impostos para o setor têxtil, que vinha sendo desativado gradativamente. Os governos municipais também pararam de aumentar o salário mínimo, que dobrou nos últimos dois anos em algumas cidades, chegando ao máximo de US$146 por mês em Shenzen.

"A China vai recorrer a políticas comerciais e tarifárias para facilitar a exportação pelos setores de tecnologia e de mão de obra intensiva", disse Li Yizhong, ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, numa conferência em dezembro.

O aumento dos incentivos à exportação é uma questão que já foi evocada pelo presidente eleito Barack Obama, especialmente na área têxtil. As cotas americanas para a importação de uma ampla faixa de artigos de vestuário chineses expiraram ontem. Mesmo antes de os chineses começarem a anunciar seus novos programas para os exportadores, os Estados Unidos entraram com uma ação legal na Organização Mundial do Comércio (OMC), acusando a China de fornecer subsídios ilegais para os exportadores, como parte de um programa para criar marcas de exportação reconhecíveis.

A China negou, no fim de dezembro, que concedeu algum subsídio ilegal, dizendo que muitos países tentam ajudar os exportadores e que ela não agiu de modo diferente. Em carta ao Conselho Nacional de Organizações Têxteis, em outubro, Obama se absteve de prometer alguma forma de proteção contra as importações chinesas, mas disse que vai defender um monitoramento maior das importações.

"A China pode mudar suas políticas, incluindo as do comércio exterior, de modo a depender menos das exportações e mais da demanda interna para seu crescimento", escreveu. Depender mais da demanda doméstica não é fácil. Os lares chineses têm uma das mais altas taxas de poupança do mundo, porque a rede de proteção social do país está em frangalhos, com as famílias recebendo uma escassa ajuda governamental para educação, assistência médica e aposentadoria. Os custos médios de permanência num hospital equivalem a dois anos de salário para o trabalhador chinês médio.

As medidas para ajudar os exportadores começam a preocupar outros países asiáticos concorrentes e aumentam o risco de uma reação protecionista contra a própria China. A Indonésia, um dos maiores mercados da Ásia, deve estabelecer uma série de medidas administrativas com o objetivo de reduzir o contrabando, mas que devem dificultar a importação de produtos chineses. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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