A tentativa de um novo pacto comercial mundial ficou mais complicada nesta segunda-feira, com a troca de acusações entre Estados Unidos, China e Índia. Além de se recusar a cortar as barreiras tarifárias para a importação de algodão, a China exigiu dos Estados Unidos um corte nos subsídios à produção da commodity, o que alimentou a disputa entre as duas potências.

"Os subsídios extremamente altos dos Estados Unidos provocaram sérios prejuízos aos fazendeiros dos países em desenvolvimento, incluindo aqueles na África e 150 milhões na China", afirmou Zhang Xiangchen, principal negociador do país. Xiangchen foi mais longe e disse que os Estados Unidos "não estão em posição de discutir" com os países em desenvolvimento "até eliminar seus subsídios ao algodão".

As declarações da China vieram ao mesmo tempo em que os países do chamado C-4 afirmaram-se frustrados por Washington não ter oferecido "nada concreto" nesse ponto. O grupo, formado pelos países cotonicultores da África Ocidental - Benin, Burkina Faso, Chade e Mali -, tem lutado desde 2003 para que a questão do algodão fosse incluída na Rodada Doha de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, também reclamou do fato de o algodão ter ficado de lado nas negociações até agora. "Nos últimos três dias, não tivemos qualquer movimento no algodão", afirmou aos jornalistas.

Pela manhã, os EUA acusaram Índia e China de ameaçarem prejudicar um frágil acordo alcançado pelos principais países reunidos em Genebra desde o começo da semana passada para tentar concluir a Rodada Doha, iniciada há sete anos. "Todas os seus pedidos por desenvolvimento nos últimos anos parecem vazios quando esses países importantes ameaçam os benefícios para o desenvolvimento que já estão na mesa, e que são completamente vitais para a grande maioria dos membros da OMC", disse o diplomata norte-americano David Shark. As informações são da agência Dow Jones.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.