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China endurece posição e vira nova ameaça a um acordo na OMC

O governo da China endureceu sua posição no setor industrial na Rodada Doha e a Índia conseguiu reunir quase cem países para defender novas barreiras agrícolas no pacote que se negocia na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ontem, o acordo que começava a se desenhar nos últimos dias deu sinais de rachadura diante da demanda de alguns de que fosse reaberto.

Agência Estado |

 

A situação é tão delicada que a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, pediu a palavra no fim de uma reunião para apelar: não deixem o trabalho de sete anos ser jogado fora.

A diplomacia brasileira, que já acatou o acordo, trabalha nos bastidores para convencer os demais emergentes a aceitar o texto final. Tanto a China quanto a Índia são vistos como as novas potências econômicas no cenário internacional. Agora, passam a usar seu peso para tentar moldar um acordo com base em seus interesses.

"Tínhamos um acordo na sexta-feira com um resultado exitoso. Não era perfeito, mas tinha um equilíbrio relativo, respaldado pela maioria dos participantes. Lamentavelmente, alguns poucos mercados emergentes decidiram que queriam reequilibrá-lo a favor de outros assuntos", atacou Schwab. "O equilíbrio é tão delicado que se você estira de um lado, desequilibra de outro. Assim, vamos romper com o único pacto de êxito que tínhamos até agora."

Parte da surpresa veio da China. Pela primeira vez, Pequim foi convidada pela OMC para fazer parte de um pequeno grupo de países que toma as decisões na entidade. Na condição de segundo maior exportador do mundo, deixar a China de fora das decisões parecia difícil. Mas, agora, os mandarins da política comercial chinesa avisam a que vieram e deixam claro que não vão sair do processo sem ganhos claros.

Ontem, Pequim anunciou que não abrirá seu mercado para produtos agrícolas e têxteis, além de recusar a liberalização de seus setores industriais. "Não há garantias de que o pacote estabelecido sexta-feira sobreviva", afirmou Peter Mandelson, comissário de Comércio da União Européia. "Os temas continuam sem uma solução. Vamos tentar amanhã (hoje) ainda", disse Kamal Nath, ministro de Comércio da Índia.

Pascal Lamy, diretor-geral da OMC, avisou aos países, no fim do encontro, que hoje traria um novo pacote e pediu que os governos passassem a noite "refletindo" para evitar um fracasso. Para seus assessores, estaria cada vez mais difícil desistir do pacote, pois vários países começam a ver sinais reais de benefícios. "Nunca estivemos tão perto de um acordo. Mas falta solucionar alguns pontos", disse o ministro do Comércio da Nova Zelândia, Phillip Goff.

Um dos promotores abertos do acordo é o chanceler Celso Amorim, que já aceitou o pacote e sabe que terá benefícios. "Ao menos o barco continua navegando e não afundou", disse. Durante o encontro de ontem entre os ministros, um dos problemas foi a recusa da China em aceitar um texto que obriga os países a liberalizar totalmente dois setores industriais.

"Temos grandes problemas com isso", afirmou Sun Zhenyu, embaixador da China na OMC. "Uma liberalização nesse modelo teria implicações enormes para nós", disse.

Americanos e europeus apostam na abertura de setores como forma de vender a seus públicos as concessões no setor agrícola. Entre os alvos preferidos estão o de químicos, máquinas e veículos.

A Índia e a Argentina saíram em defesa dos chineses. "Deve ficar claro que não haverá a obrigação de negociar a liberalização de setores inteiros", afirmou Nath. Amorim, mais uma vez, tentou mediar a situação. "O texto já diz que será uma negociação voluntária dos setores. A frase é taxativa. Mas outros países ainda estão preocupados."

Outro movimento importante de ontem foi o estabelecimento de uma aliança de China e Índia com um grupo de cem países em desenvolvimento. O objetivo é a imposição de barreiras comerciais caso sofram um surto de importações de bens agrícolas depois de um eventual acordo na Rodada Doha.

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