O governo chinês estuda lançar um pacote de investimentos de US$ 730 bilhões para o setor de transportes nos próximos 3 a 5 anos, com o objetivo de estimular o crescimento em meio à crise econômica mundial, de acordo com o jornal oficial China Business News. O valor inclui os US$ 292 bilhões para a construção de ferrovias aprovados pelo Conselho de Estado no mês passado e supera os US$ 700 bilhões destinados pelo Congresso dos EUA para salvar o sistema financeiro norte-americano.

De acordo com o jornal, os investimentos incluiriam ferrovias, estradas, hidrovias e portos.

O impacto da crise mundial sobre a China tem se agravado a cada semana. O crescimento do país deverá desacelerar nos próximos meses, depois de o terceiro trimestre de 2008 ter registrado o menor índice de expansão em cinco anos.

Com estoques crescentes, as empresas vêem seus lucros encolher, o que deverá afetar investimentos e aumentar o pessimismo em relação à capacidade do país de manter um forte ritmo de atividade a despeito da turbulência global.

Empresas exportadoras dos setores de brinquedos, têxteis e calçados faliram e deixaram milhares de operários desempregados no sul do país. A última leva de relatórios de economistas aponta para um ambiente hostil nos próximos dois trimestres, com retração de investimentos.

O setor de aço está entre os mais afetados pela contração econômica dos últimos meses, o que terá impacto direto sobre as exportações da Vale. A maioria dos analistas espera que o preço do minério de ferra tenha queda nos contratos de longo prazo que serão fechados para 2009, que seria a primeira desde 2002.

Segundo Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered na China, as siderúrgicas chinesas têm estoques de 150 milhões de toneladas de aço, o equivalente a 30% da produção de 2008.

Em artigo publicado sábado no jornal Qiushi, editado pelo Partido Comunista, o primeiro-ministro Wen Jiabao afirmou que a eventual retração acentuada do crescimento econômico poderá ameaçar a estabilidade social do país.

"Nós temos que ter bastante claro que sem um determinado ritmo de crescimento econômico haverá dificuldades com o emprego, a arrecadação de impostos, o desenvolvimento social e o padrão de vida das pessoas", escreveu.

Segundo o premiê, este ano será o pior de "tempos recentes" para a China em termos de crescimento econômico. "Em meio ao atual distúrbio econômico e financeiro internacional, nós temos que dar prioridade ainda maior para a manutenção do crescimento estável e relativamente rápido da nossa economia", ressaltou.

O primeiro-ministro não disse no artigo qual seria o índice de expansão abaixo do qual a estabilidade social estaria ameaçada, mas os economistas dizem que 8% é o mínimo necessário para gerar os milhões de novos empregos que a China necessita a cada ano.

O banco UBS acredita que a China vai crescer 7,5% em 2009, enquanto o Standard Chartered prevê 7,6%. A última vez em que o país cresceu em patamar semelhante a esses foi há dez anos, sob o impacto da crise asiática. A expansão do PIB foi de 7,8% em 1998 e de 7,6% no ano seguinte. Para 2008, as previsões variam de 9,4% a 9,8%.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.