O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, descartou qualquer apreciação em larga escala do yuan, desafiando o aumento das pressões de legisladores dos Estados Unidos

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O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, descartou qualquer apreciação em larga escala do yuan, desafiando o aumento das pressões de legisladores dos Estados Unidos. Wen afirmou estar confiante de que os desequilíbrios comerciais entre os dois países diminuirão com o tempo. Além disso, disse que vê um futuro brilhante nas relações bilaterais entre os EUA e a China e que as duas nações são competidoras e parceiras cooperativas.

O premiê chinês destacou que não estão estabelecidas as condições para um movimento significativo na moeda chinesa. Segundo ele, qualquer valorização em grande escala pode levar à instabilidade social. "Se o yuan se valorizar de 20% a 40%, como pede o governo norte-americano, nós não sabemos quantas empresas chinesas irão à falência, quantos trabalhadores chineses serão demitidos e quantos trabalhadores rurais vão voltar para casa. Haverá uma grande turbulência na sociedade chinesa", afirmou.

Por outro lado, legisladores dos EUA dizem que a China desvaloriza artificialmente o valor do yuan para impulsionar as exportações, o que gerou perdas de emprego no setor manufatureiro norte-americano. O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou na segunda-feira que a taxa de câmbio do yuan é um "problema real" e que o governo norte-americano tem pressionado a China para permitir que a moeda se valorize.

O yuan subiu aproximadamente 2% desde 19 de junho, quando a China prometeu aumentar sua flexibilização, mas muitos políticos dos EUA afirmaram que a alta foi insuficiente. Projetos de lei propostos no Congresso dos EUA antes das eleições de novembro determinam a adoção de tarifas sobre as importações chinesas, caso a China não permita uma apreciação maior do yuan.

Wen fez os comentários durante um jantar organizado pelo Comitê Nacional Chinês das Relações EUA-China e pelo Conselho Empresarial EUA-China. O primeiro-ministro chinês está participando das convenções da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e deverá se reunir com Obama hoje. As informações são da Dow Jones.

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