Antonio Broto. Pequim, 20 out (EFE).- Apesar das dificuldades que a China enfrenta este ano devido aos desastres naturais sofridos e ao impacto da crise financeira mundial, sua economia cresceu 9,9% nos primeiros nove meses de 2008, número que está dentro das previsões do Governo, mas que mostra certa desaceleração.

O Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, em inglês) publicou hoje os dados macroeconômicos dos nove primeiros meses do ano, no qual destacou uma nova queda do crescimento trimestral (9% no terceiro trimestre, frente a 10,4% do período entre abril e junho e 10,6% entre janeiro e março).

Em 2006 e 2007, o crescimento econômico trimestral da China nunca ficou abaixo de 10%.

O Produto Interno Bruto (PIB) total da China nesse período subiu para US$ 2,95 trilhões, em sua corrida para alcançar a Alemanha e se transformar na terceira potência econômica mundial, depois de Estados Unidos e Japão.

Ao apresentar os números macroeconômicos, o porta-voz do NBS, Li Xiaochao, destacou que, nos primeiros nove meses do ano, a China, em um ano muito complicado, "fez balanço da situação, tomou decisões e adotou políticas que mantiveram um crescimento rápido e estável".

Destacou também a publicação dos números de inflação, que entre janeiro e setembro foi de 7%, 2,9 pontos percentuais a mais que no mesmo período de 2007, mas nove décimos a menos que na primeira metade deste ano, mostrando que as medidas para controlar os preços estão surtindo efeito.

"Ainda devemos vigiar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC)", disse o porta-voz, dando a entender que as medidas de controle continuarão, já que o Governo chinês fixou como metas principais para este ano evitar tanto um crescimento excessivamente rápido do Produto Interno Bruto (PIB) quanto dos preços.

Nos dados do NBS, foram lembrados que o comércio exterior mantém forte crescimento e subiu para US$ 1,96 trilhão, 25,2% a mais que no período entre janeiro e setembro de 2007, consolidando o país como terceiro maior parceiro comercial mundial.

As importações cresceram de forma mais rápida (29%) que as exportações (22,3%), e a China continua mantendo um grande superávit comercial (aproximadamente US$ 180 bilhões).

No entanto, esse superávit foi menor que o do ano passado em US$ 4,7 bilhões, graças, entre outros fatores, à valorização do iuane frente às moedas americana e européia.

O consumo interno, outro pilar fundamental do surpreendente crescimento econômico chinês, alcançou US$ 1,13 trilhão, um aumento de 22% em comparação ao período de janeiro a setembro de 2007.

Os números foram considerados positivos pelo NBS, já que mostram certa desaceleração - desejada por Pequim há vários anos, devido ao excessivo crescimento em certos setores -, mas, ao mesmo tempo, não parecem muito atingidos pela recessão mundial.

"É um ano extraordinário para o crescimento econômico da China", disse o porta-voz, embora tenha reconhecido que a crise "está começando a ter efeitos negativos na economia nacional".

A economia chinesa cresceu anualmente em média 9,8% nos últimos 30 anos, desde que foi instaurada a reforma e a abertura econômica, e os analistas esperam que, para todo o ano de 2008, o PIB do país cresça entre 8% e 9%.

Também confiam em que o gigante asiático ajude a estabilizar a economia mundial em meio àa crise sofrida principalmente por EUA e União Européia (UE), como fez em 1997, durante a crise asiática.

O fato de a China contar com a maior reserva de divisas mundial (aproximadamente US$ 2 trilhões) e ter investido grande parte deste valor em títulos e empresas financeiras americanas a transformam em ator principal da crise.

Os analistas chineses, no entanto, advertem que a China poderia pedir em troca um maior reconhecimento das potências econômicas comerciais: por exemplo, que os EUA e a UE a reconheçam como economia de mercado e diminua o protecionismo aos produtos chineses.

"A melhor solução para ambas as partes é que o Ocidente ofereça condições à China para que esta lhes conceda ajuda. Mas isso depende de se a China tem confiança no Ocidente", disse à Agência Efe Mei Xinyu, pesquisador e especialista em macroeconomia do Ministério do Comércio chinês. EFE abc/fh/an

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