Com prioridade em crescer nos mercados que tiveram recuperação mais rápida após a crise, a chilena Masisa espera triplicar seu faturamento no Brasil nos próximos três anos, para US$ 300 milhões, disse hoje o presidente da empresa, Roberto Salas, após inaugurar a segunda fábrica da companhia no Brasil. A Masisa tem 12 fábricas no Chile, Argentina, Venezuela, México e Brasil, incluindo a nova planta produtora de painéis de MDP (Medium Density Particleboard) inaugurada hoje em Montenegro, a 58 quilômetros de Porto Alegre (RS).

De janeiro a setembro de 2009, a Masisa teve receita líquida de US$ 81,8 milhões no Brasil e de US$ 625,1 milhões no total. "Nosso foco é consolidar a presença na América Latina", afirmou, lembrando que quase todos os países da região apresentam crescimento econômico.

Com a unidade de Montenegro, que tem capacidade para produzir 750 mil metros cúbicos por ano de painéis de MDP, a capacidade da empresa no Brasil sobe para 1,050 milhão de metros cúbicos por ano. A empresa já operava uma fábrica de MDF (Medium Density Fiberboard) em Ponta Grossa (PR). Para abastecer suas plantas, conta com 238 mil hectares de florestas de eucalipto e pinus no Chile, Argentina, Brasil e Venezuela. No total, tem capacidade instalada de 3,3 milhões de metros cúbicos em suas 12 unidades. Quando operar com plena utilização da capacidade em Montenegro, o Brasil irá representar um terço do total. Em 2010, a previsão é utilizar 60% da disponibilidade industrial existente no País, previu o diretor da Masisa Brasil, Jorge Hillmann.

A fábrica do Rio Grande do Sul recebeu investimento de R$ 266 milhões e teve incentivo fiscal do Fundo Operação Empresa (Fundopem), programa do governo estadual. O projeto inicial previa também uma linha de MDP para 500 mil metros cúbicos por ano, mas a decisão sobre o investimento ainda não foi tomada, ressaltou Salas, e não há prazo definido. A Masisa ainda no conta com áreas próprias de plantio de florestas no Rio Grande do Sul. No Paraná, tem 20 mil hectares, dos quais 12 mil cultivados.

A companhia fez uma parceria com o fundo de investimento Hancock para desenvolver projetos florestais. O Hancock entrará com 80% do investimento e a Masisa, com 20%. A meta é contar com 40 mil hectares em até sete anos no Rio Grande do Sul, acompanhando o ciclo do eucalipto. Do produto gerado, a Masisa poder ficar com até 50%. A companhia recebe atualmente matéria-prima de fornecedores com 500 hectares cultivados a uma distância de até 150 quilômetros da fábrica, uma área que pode chegar a 6 mil hectares em sete anos, com incentivo a produtores com no mínimo dois hectares disponíveis. Além de madeira, a Masisa utiliza resíduos de serrarias na produção de painéis.

Após o terremoto que atingiu o Chile em fevereiro, quatro das seis plantas da Masisa no País foram temporariamente paralisadas. Duas já retomaram a operação e outras duas serão ativadas em abril, informou Salas.

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