Chevron adota estratégia do quanto menos falar, melhor

Mesmo com informações contestadas, nenhum executivo da companhia veio a público para explicar acidente na Bacia de Campos

iG São Paulo | 18/11/2011 19:52

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Quase uma semana após ter se tornado público que era a responsável pelo vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ), a Chevron ainda não adotou nenhuma medida para melhorar sua comunicação com a sociedade brasileira. Em um festival de informações desencontradas, desditos e, agora, uma avalanche de rumores sobre o que de fato aconteceu no poço onde houve o vazamento, a companhia preferiu manter a comunicação por meio de frias notas distribuídas à imprensa.

Leia também: Empresa contratada pela Chevron na Bacia de Campos é a mesma de acidente no Golfo do México

Ao contrário do que regem as cartilhas de valorização da marca em momentos de crise, a Chevron ainda não chegou sequer a apresentar um porta-voz para tentar dirimir as dúvidas em torno de um acidente que vem se mostrando mais grave a cada momento. E, ao que parece, não pretende mudar sua estratégia. De acordo com a assessoria de comunicação que atende a empresa no Brasil, não há nenhuma indicação de que algum executivo da companhia virá a público para dar explicações.

Infográfico: Veja como foi o acidente no Golfo do México

Apesar da dimensão infinitamente menor, os paralelos entre o acidente da Bacia de Campos e do Golfo do México têm sido inevitáveis. Agora, com a informação de que a empresa que perfurava o poço na Bacia de Campos é exatamente a mesma que foi a responsável pelo maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos, a tendência é que aumentem ainda mais.E a expectativa é de que os estragos para a imagem da Chevron sejam semelhantes àqueles sofridos pela British Petroleum no caso americano.

No caso da BP, a companhia chegou a perder US$ 25 bilhões em valor de mercado por conta dos estragos causados pelo vazamento e, muito também, por conta como lidou com o caso. As informações passadas pela companhia se mostraram inconsistentes ou mesmo inverídicas ao longos dos cinco meses em que os 23 bilhões de litros de óleo ficaram vazando. Por conta disso, cabeças rolaram. Até o presidente da companhia, Tony Hayward, foi demitido por conta da estratégia desastrada de comunicação.

A diferença é que, ao contrário da BP, a Chevron não tem sua imagem ligada diretamente a produtos de consumo, em especial no Brasil. Por aqui, além de explorar petróleo, a companhia é dona de uma das marcas mais populares de lubrificantes, a Havoline. No entanto, o produto ficou conhecido no país sob a bandeira da Texaco, que foi adquirida pela Chevron em 2002 e revendida em 2008 ao Grupo Ultra, controlador da rede de postos Ipiranga.

“A verdade é que dificilmente a empresa sentirá um efeito em suas vendas, infelizmente”, diz o consultor de marcas José Roberto Martins, da consultoria Global Brands. “O que estamos vendo é que há uma espécie de banalização do escândalo e as pessoas parecem não ligar mais para o que as empresas fazem”, diz ele.
 

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