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Chávez quer recuperar Banco da Venezuela do grupo Santander

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quarta-feira a nacionalização em breve do Banco da Venezuela, um dos maiores do país, e convocou uma reunião com os proprietários, o banco espanhol Santander, para definir o valor da transação.

AFP |

"Vamos nacionalizar o Banco da Venezuela. Entrei em contato com o grupo Santander para que comecemos a negociar" um preço justo, declarou Chávez, em entrevista transmitida por rádio e televisão.

"Eles queriam vender o banco para um banqueiro venezuelano, e eu, chefe de Estado, disse não. Agora, que o vendam ao governo, ao Estado. Vamos recuperar o Banco da Venezuela. Um banco dessa envergadura era o que nos faltava", acrescentou, ressaltando que a entidade "dá muito lucro, mas o lucro vai para fora".

O presidente venezuelano explicou que há um tempo propôs ao Grupo Santander, presidido por Emilio Botín, comprar o Banco da Venezuela, do qual possui 96% do capital, mas a proposta de venda foi retirada assim que ele emitiu o desejo de compra, apesar de estarem "desesperados para vendê-lo".

"Há algo obscuro aí", alfinetou Chávez, explicando tem uma cópia "do documento de pré-acordo entre o Santander e um banqueiro venezuelano", sem identificá-lo.

Os rumores na Venezuela apontam que o empresário Víctor Vargas, proprietário do Banco Occidental de Descuento (BOD) e sogro de Luis Alfonso de Borbón, da família do rei da Espanha, estaria interessado em adquirir o banco.

Em junho, o presidente do Banco de Venezuela, Michel Goguikian, negou a venda da instituição, cuja ação na Bolsa de Caracas disparou diante dessa possibilidade.

Em seu balanço de 2007, o Grupo Santander já havia reconhecido que "os acontecimentos políticos na Venezuela apresentam um risco ampliado de que o Governo venezuelano possa nacionalizar, ou alternativamente, intervir nas operações da filial venezuelana".

Nesta quinta-feira, o chefe do Estado venezuelano se disse certo de que "haverá, agora, na Espanha, uma campanha na imprensa, dizendo que Chávez prejudica as relações entre os dois países, que começavam a se normalizar".

Chávez se referia a seu encontro, na semana passada, com o rei Juan Carlos e com o chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero. Na viagem, o venezuelano chegou a declarar que era importante contar com uma empresa espanhola, como a Repsol, na Faixa do Orinoco, e se comprometeu a fornecer petróleo à Espanha, a US$ 100 o barril.

A reunião marcou a normalização das relações entre os dois países depois de uma tumultuada cúpula ibero-americana, em novembro de 2007, durante a qual o rei da Espanha soltou o famoso: "por que no te callas?", dirigindo-se a Chávez.

Desde 2007, o presidente venezuelano nacionalizou empresas de telecomunicações e eletricidade, siderúrgicas e petrolíferas mistas instaladas na rica bacia petroleira do Orinoco, além dos grupos produtores de cimento Cemex (México), Lafarge (França) e Holcim (Suíça). Até agora, todas as nacionalizações foram realizadas mediante acordos econômicos concluídos entre as partes.

O Grupo Santander é o primeiro grupo bancário da América Latina, região que respondeu por 32% de sua receita total, em 2007, e na qual existem 4.500 agências e mais de 65.000 funcionários.

Após a crise financeira de 1994, o Banco da Venezuela passou para as mãos do Estado venezuelano e, em 1996, o Grupo Santander adquiriu a entidade em um leilão público, por 351,5 milhões de dólares.

Hoje, calcula-se que o patrimônio do Banco da Venezuela seja de 1,916 bilhão de bolívares (891,4 milhões de dólares). Em 2007, seu lucro líquido foi de 699,4 milhões de bolívares (325,3 milhões de dólares). O banco está presente em todo o país, com uma rede de mais de 300 agências.

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