Em um bem articulado jogo de bastidores conduzido pelo governo brasileiro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entrou ontem na polêmica que envolve o governo do colega equatoriano, Rafael Correa, a construtora Norberto Odebrecht e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após uma audiência com Lula, num hotel de Manaus, Chávez participou com o presidente brasileiro, de uma entrevista coletiva e elogiou a Odebrecht.

Quando um repórter quis saber dos dois presidentes como seria resolvido o problema - uma vez que Correa decretou na semana passada a expulsão da Odebrecht por causa de uma disputa sobre a Hidrelétrica de San Francisco -, o presidente Lula disse apenas que Brasil e Equador são "grandes parceiros" e afirmou que "o problema será solucionado".

Chávez, por sua vez, contou que, em 2002, quando houve uma tentativa de golpe de Estado na Venezuela, a Odebrecht manteve suas remessas de cimento e não paralisou as obras de construção da segunda ponte sobre o Rio Orinoco.

Chávez admitiu ainda que "dom Emílio", referindo-se ao presidente da Odebrecht, "adiantou recursos" para o governo da Venezuela. Ele fez questão de fazer um reconhecimento público de que a construtora "comportou-se muito bem na Venezuela" e disse que há um elevado "nível de confiança e transparência absoluta" nas relações entre o seu governo e a empresa.

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