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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou hoje em Manaus que a crise financeira americana vai ser pior do que a de 1929. Ele está na capital do Amazonas para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Vai afetar o mundo inteiro. Nenhum país pode dizer que não será afetado", afirmou à imprensa. Chávez classificou a crise como o "crash do neoliberalismo" e, ao ser questionado sobre sua contaminação nas economias sul-americanas, defendeu que "felizmente" a região tem líderes como Lula, o casal Kirchner, na Argentina, e Evo Morales, na Bolívia, além da "revolução bolivariana" na Venezuela. "Estamos nos desenganchando (da política neoliberal) há muitos anos", insistiu ele, apesar de a orientação da política econômica brasileira não ter conotação contrária ao neoliberalismo.

Chávez mostrou especial preocupação com as possíveis quedas do crescimento econômico dos países da América Latina e do preço das matérias-primas (commodities) alimentares e minerais e do petróleo. Aproveitou para culpar o "imperialismo" americano e a "irresponsabilidade" do governo dos Estados Unidos e do "capitalismo selvagem" "É um furacão, cem furacões", resumiu. "O mundo jamais voltará a ser o mesmo depois desta crise. Esta crise fará surgir um mundo novo, pluripolar, a independência de nossos países, a soberania de nossos países", insistiu.

Para Chávez, a "melhor estratégia" para reduzir a contaminação da crise americana nas economias da região será uma "ofensiva" na integração e na cooperação entre os países sul-americanos, e em acordos bilaterais e multilaterais na área de financiamento. "É importante que cada país revise sua situação e os riscos que correm. Ninguém sabe até onde vai chegar este crash", afirmou.

Bolsa de Caracas

Ao analisar o comportamento do setor financeiro mundial ontem, quando as bolsas de valores caíram em conseqüência da desaprovação do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões do governo americano pelo Congresso do país, Chávez afirmou que a discussão sobre esse cenário tornou-se obrigatória. "A única (bolsa de valores) que cresceu ontem foi a de Caracas porque está desconectada totalmente da bolsa de Nova York", registrou ele.

Para o encontro com o presidente Lula, Chávez afirmou que apresentará um documento sobre a "ativação" do Banco do Sul, o projeto de banco sul-americano de fomento. Trata-se de mais uma das idéias de Chávez que acabou se perdendo no processo de negociação, ainda em aberto. "É uma proposta que a Venezuela vem fazendo há quase uma década", reconheceu. "O Banco do Sul, através de fundo de financiamento, de cooperação, será um instrumento para assegurar o desenvolvimento dos nossos povos e para nos desengancharmos, definitivamente, do nefasto sistema neoliberal que está acabando com o mundo", completou.