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Chapa democrata dos EUA sinaliza pouco interesse pela América Latina

DENVER (EUA) - Barack Obama escolheu um político com grande experiência em assuntos internacionais para acompanhá-lo como candidato a vice-presidente na corrida à Casa Branca, mas é improvável que a opção ajude a chamar sua atenção para regiões que até aqui ficaram em segundo plano na campanha, como a América Latina.

Valor Online |

Desde que assumiu a presidência da poderosa Comissão de Relações Exteriores do Senado, em janeiro de 2007, o senador Joe Biden convocou apenas uma audiência para discutir temas de interesse da região. O assunto era o plano lançado pelos EUA para ajudar o México a combater o narcotráfico. Biden não participou da sessão, que foi presidida por um colega.

O único país latino-americano que Biden conheceu como senador foi a Colômbia, que ele visitou duas vezes no ano 2000, quando o ex-presidente Bill Clinton lançou o Plano Colômbia, um ambicioso programa de ajuda financeira e assistência militar que destinou até hoje mais de US$ 4 bilhões ao país.

Ele é bem informado sobre todas as áreas de política externa, mas particularmente sobre regiões em crise , disse ao Valor Nelson Cunningham, sócio da consultoria McLarty Associates que trabalhou dois anos com Biden no Senado. Na América Latina, a Colômbia foi seu foco principal, especialmente no auge dos problemas com o tráfico e a guerrilha há uma década.

Nos últimos anos, as guerras no Iraque e no Afeganistão e o combate ao terrorismo foram as prioridades de Biden no Senado. Uma semana antes de ser escolhido por Obama, ele foi até a Geórgia, para ver de perto os estragos produzidos pela intervenção militar russa e conversar com o presidente Mikheil Saakashvili e outros líderes locais.

A escolha de Biden, 65, como companheiro de chapa foi anunciada no sábado. Obama, que tem 47 anos, acredita que a indicação poderá ajudá-lo a vencer as resistências de muitos eleitores que apontam sua inexperiência como um fator preocupante. Biden tem quase quatro décadas de vida pública. Ele chegou ao Senado com 29 anos de idade.

Obama nunca visitou a América Latina e nunca escondeu sua falta de conhecimento sobre a região. Poucos meses atrás, no início da campanha presidencial, ele não conseguiu se lembrar de nenhum nome quando um jornalista americano lhe pediu uma lista de líderes latino-americanos que ele admirava.

Em julho, o senador John McCain, candidato do Partido Republicano à presidência, visitou o México e a Colômbia, numa viagem organizada com o objetivo de realçar as diferenças entre ele e seu adversário. Poucos dias depois, Obama fez um giro internacional de uma semana que incluiu Iraque, Afeganistão, Alemanha, França e Inglaterra.

Para Arturo Valenzuela, um professor da Universidade Georgetown que assessorou o ex-presidente Clinton na formulação de políticas para a América Latina, a experiência de Biden pode ser valiosa mesmo nos casos em que seu conhecimento sobre um assunto pareça superficial. A América Latina nunca foi sua especialidade, mas Biden sabe mais sobre a região do que muitos especialistas , disse ao Valor.

Com a entrada de Biden na campanha de Obama, a Comissão de Relações Exteriores do Senado passará a ser presidida pelo senador Christopher Dodd, que fala espanhol com fluência e trabalhou como voluntário na República Dominicana na década de 60. Assim como Biden, Dodd lançou-se candidato a presidente no começo da corrida eleitoral, mas logo abandonou a disputa e decidiu apoiar Obama.

Antes de escolher Biden, Obama examinou outros nomes. Um deles foi o governador do Estado do Novo México, Bill Richardson, que é filho de mãe mexicana. Em abril deste ano, Richardson foi a Caracas pedir a interferência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para liberar três americanos sequestrados pelos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Uma operação militar colombiana resgatou os americanos em julho.

(Ricardo Balthazar | Valor Econômico)

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